Roteiro
Romanceado

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  O roteiro romanceado

"Roteiro romanceado" é uma história escrita que combina elementos técnicos do roteiro de cinema com os do romance tradicional.

  As características do nova forma

Cria híbrida do roteiro e do romance, o roteiro romanceado pode ser considerado tanto uma nova forma literária, por ter características estruturais próprias, quanto um novo gênero literário, por representar uma alternativa à novela e ao romance. O roteiro romanceado se define pelas seguintes características:
 
 A FORMA

a) A extensão da história.

. A extensão mínima.

O roteiro romanceado visa à criação de efeitos semelhantes aos do romance, especialmente os efeitos derivados da leitura demorada. A leitura rápida dos capítulos, própria da nova forma devido ao uso freqüente do diálogo, recomenda situar o número de páginas em torno das trezentas.

Uma extensão inferior implicaria o risco de produzir um efeito semelhante ao do gênero dominante na ficção nacional, o "romance brasileiro", isto é, uma história cuja extensão situa-se entre 100 e 200 páginas de texto escrito, gerando no leitor a impressão de ter lido um projeto de romance completo, em vez de uma história desenvolvida ao máximo de suas necessidades artísticas.

b) A estrutura geral.

. As divisões e subdivisões.

A história é dividida em capítulos, todos titulados. As cenas, subdivisões dos capítulos, também são providas de títulos. Essas informações adicionais prestam-se à criação de diversos efeitos de leitura do trecho intitulado: enquadramento do conteúdo, geração de suspense, destaque do ponto central, entre outros.

O enredo pode ainda ser dividido em partes formadas por determinado número de capítulos e caracterizadas por unidade de tema, de ação ou de desenvolvimento dos personagens.

c) Os recursos de orientação do leitor.

. As indicações de tempo, lugar e circunstâncias da cena.

Em Literatura, tudo é convenção. Convencionou-se que as indicações de tempo, lugar e circunstâncias de uma cena de conto, novela ou romance deveriam ser de responsabilidade do narrador da história e estar incluídas na descrição do ambiente. Sabem os leitores quantas linhas canhestras ou involuntariamente engraçadas já foram escritas por causa dessa exigência técnica. O famoso Bulwer-Lytton Fiction Contest [Concurso de Ficção Bulwer-Lytton] satiriza a convenção, com base no conhecido início It was a dark and stormy night ["Era uma noite sombria e tempestuosa"], do livro Paul Clifford.

Visando simplificar o trabalho de indicação, tantas vezes responsável por dificuldades técnicas desnecessárias para o autor, sem nenhuma vantagem artística, o roteiro romanceado utiliza uma adaptação da convenção cinematográfica da legenda. Exemplo hipotético:

   "Interior do Bar do Vinícius, Ipanema, Rio de Janeiro.
   Dia 20 de abril, 22h 30min.
   Chuva forte caindo sobre o bairro."

Outras indicações essenciais à apreensão do ambiente e das circunstâncias da cena podem ser passadas do mesmo modo, logo em sua abertura. Assim, o leitor recebe rapidamente essas informações e as utiliza com proveito para as atividades de imaginação e compreensão dos eventos seguintes. E o autor reserva seus esforços criativos para o desenvolvimento da cena, mantendo a narração livre de intromissões indevidas.

. A indicação dos interlocutores, no diálogo.

Nos diálogos, o falante é indicado previamente de modo explícito. Exemplos:

   "Heraldo: ...
   Vânia: ... "

Na seqüência das falas, quando apenas dois personagens interagem, limita-se a indicação às iniciais:

   "H: ...
   V: ..."

Nas conversas entre mais de dois personagens, os nomes são utilizados durante toda a interação.

Essas providências livram o leitor da confusão de interlocutores e liberam o autor da obrigação de acrescentar os tradicionais "ele disse" e "ela disse" ao final das falas. Um bônus: elimina-se o problema técnico das variantes pouco eficientes (e às vezes cômicas) dos chamados verbos de elocução ("ele sorriu", "ela vociferou", "ele gritou, raivosamente").

. A indicação das circunstâncias do diálogo.

A convenção da rubrica, própria do roteiro de cinema, é aproveitada em determinadas falas para evitar um descompasso de ocorrência freqüente na leitura de romances: o leitor chega ao final da fala e, só nesse instante, recebe do autor uma informação importante sobre a atitude, o sentimento ou a intenção do falante, tendo então que imaginar novamente a fala já lida para acrescentar-lhe a informação deslocada. Exemplo de rubrica:

   "Heraldo (olhando a paisagem com indiferença): ..."

Essas indicações aparecem no diálogo quando não é possível transmitir o tom da fala e o estado psicológico do falante no conteúdo da enunciação ou pelo contexto da conversa ¾ uma situação muito mais freqüente do supõem os autores de manuais literários.

d) Os recursos de ênfase.

. No diálogo cotidiano, variações de tom, intensidade e altura dão ênfase a trechos da fala, circunstância geralmente eliminada na transcrição artística da conversa. Para transmitir essa importante informação contextual, o autor do roteiro romanceado se vale, apenas em determinados momentos e sempre com moderação, do itálico, do negrito, da separação de sílabas e das reticências, entre outros recursos formais.
 
O CONTEÚDO
a) A história.

. As características gerais.

A história contada pelo roteiro romanceado, se desenvolvida nos moldes do romance tradicional, com seus recursos adicionais de narração autoral e exploração psicológica, equivaleria à história contada pelo romance clássico ou "romanção", devido à sua amplitude e aos seus efeitos. A concentração de foco e o estilo sintético, dois elementos fundamentais do roteiro romanceado, fazem com que essa nova forma contenha, em semente, a possibilidade de desenvolvimento do texto original até aquela forma clássica.

Para isso contribui a redução relativa ou mesmo a eliminação destas características do romance moderno:

   1. A interferência freqüente do narrador na história.
   2. As descrições longas e detalhadas.
   3. As explicações sobre a psicologia dos personagens.
   4. A reprodução direta dos fenômenos do mundo interno dos personagens.
   5. A exposição dos fatos antecedentes à situação inicial da história.
   6. O acompanhamento de tramas paralelas.

. O desenvolvimento da história.

O roteiro romanceado conta uma história centrada geralmente em um personagem central, acompanhando o desenrolar de uma situação dramática inicial, o qual estará sempre ligado aos aspectos temáticos da obra.

A concentração de foco, típica da forma, soma-se ao recurso do onipresença dos símbolos, opção do autor, para fazer das cenas iniciais uma exposição direta e, ao mesmo tempo, sugestiva, do tema central da história.

As cenas seguintes, tão simbólicas quanto as iniciais, apresentarão o mínimo desvio possível do foco central definido no começo da trama.

. O narrador.

O narrador do roteiro romanceado mostra-se o mínimo possível ao leitor, quando o foco narrativo escolhido for o de terceira pessoa e esse narrador não tiver participação na história.

Quando um personagem participante contar a história (foco narrativo de primeira pessoa), sua vivência interior será revelada no contexto de cenas diretas, mesmo nas situações solitárias. O mundo interno desse narrador sempre ocupará, portanto, um primeiro plano relativo.

b) O enredo.

. As cenas.

O enredo do roteiro romanceado compõe-se quase totalmente de cenas diretas. As cenas consistem basicamente de ações e de interações entre os personagens. Estas são caracterizadas pelo diálogo naturalista, ou seja, artisticamente semelhante aos diálogos reais.

Os eventos ocorridos entre as cenas são transmitidos ao leitor por meio do sumário narrativo.

Os outros elementos da cena são subordinados às ações e às interações, permanecendo em segundo plano e tomando pouco espaço na página. São eles:

   1. A descrição de pessoas, comportamentos, ambientes, paisagens.
É feita sempre de modo sintético e focado.

   2. A revelação indireta do mundo interno dos personagens (pensamentos, sentimentos, atitudes, intenções).
Caracteriza-se pela brevidade e relevância.

A proporção das formas narrativas corresponde, em importância decrescente, ao esquema "diálogo-ação-descrição-sumário-presença do narrador".

. O efeito geral.

O efeito da leitura de um roteiro romanceado assemelha-se ao de um filme projetado na tela da mente, acrescido de informações literárias relevantes.

c) O estilo.

. As qualidades do estilo.

A principal qualidade estilística do roteiro romanceado é a síntese. Nessa nova forma, cada palavra conta, é importante e influencia o desenrolar da trama.

A qualidade central é complementada por uma outra: a concentração de efeitos. "O máximo no mínimo" é o lema do roteiro romanceado, no campo do estilo. Para esse fim, adotam-se os critérios de:

   1. A precisão.
A preferência vai para a palavra que melhor representa o referente.

   2. A estimulação mental e emocional.
Palavras que estimulam a memória e a imaginação do leitor, criando representações mentais definidas e fortes, geradoras de intenso efeito emocional, têm a preferência. Palavras e expressões neutras ou fracas, nesses aspectos, não devem aparecer em nenhum ponto do texto.

   3. O uso da sugestão.
A escolha das palavras segue o mesmo princípio da escolha dos ambientes, objetos, atos e falas: quando possível (e sempre é possível), elas devem ser simbólicas e sugestivas.

d) Os gêneros.

. A diversidade de escolhas.

Considerado como uma forma literária, o roteiro romanceado situa-se na fronteira entre o roteiro cinematográfico e o romance tradicional. Por isso, ele permite o aproveitamento de cada um dos gêneros do romance e de cada um dos gêneros do roteiro de cinema, bem como das combinações viáveis entre eles.

  A figura-símbolo do roteiro romanceado

. Um Y enganoso.

A melhor imagem para entender o roteiro romanceado é a figura de um Y: a partir do roteiro romanceado (o tronco da letra), pode-se desenvolver a história em forma de roteiro de cinema (uma das bifurcações) ou em forma de romance tradicional (a outra bifurcação). Como a história parece estar mais próxima de um roteiro, supõe-se que o primeiro desenvolvimento tome um tempo menor do autor.

Esta, portanto, é outra virtude da nova forma literária: ela pode ser vista como um fim em si mesmo ou como um estágio para a criação de um roteiro ou um romance.

Há um porém, derivado da filosofia literária do autor e de sua utilização particular dessa criação. Se em termos de forma o roteiro romanceado é filho do roteiro de cinema, em termos de conteúdo ele é filho do romance. Paradoxalmente, o objetivo do autor é criar um roteiro romanceado que não se preste à filmagem porque suas cenas não renderiam cinematograficamente: são cenas de romance.

Assim, depois da leitura de um roteiro romanceado, a resposta mais sincera à pergunta "Esta história daria um bom filme?" seria "Não. Não, a menos que um roteirista profissional fizesse muitas modificações, adaptando o conteúdo à linguagem cinematográfica, incluindo personagens, criando várias cenas etc.".

  A maneira apropriada de se pensar no roteiro romanceado

. O autor de um roteiro romanceado pensa em seu projeto considerando quatro pontos fundamentais:

1. A relação entre as formas de origem.

   Essa relação está indicada pela própria designação da nova forma: "roteiro romanceado". Primeiro o roteiro, depois o romance. O escritor não pensa em "romance roteirizado", isto é, primeiro os elementos do romance e depois os do roteiro, encaixando arbitrariamente um conteúdo romanesco numa forma cinematográfica. Ele pensa em "roteiro romanceado": primeiro os elementos formais do roteiro, a sua estrutura cênica, e depois, enquadrado nela, os elementos do romance, tanto os de conteúdo quanto os de estilo.

2. O tema.

   A primeira escolha é o tema. A regra da concentração de foco exige do roteiro romanceado um tema claro a ser desenvolvido pela trama. O tema, sempre associado aos efeitos visados pelo autor, torna-se o principal fator de seleção do conteúdo da história.

3. As cenas.

   O autor de roteiros romanceados pensa em cenas interativas e diretas, isto é, não mediadas pelo narrador. As idéias, sentimentos, posições, motivações etc., tanto as do narrador quanto as dos personagens, devem ser representáveis em forma de elementos cênicos, ou seja, em atos e falas.

   À semelhança de um roteiro cinematográfico, o que se vê e o que se ouve, do ponto de vista de um observador externo aos personagens, constitui a base da história. O que não se vê e o que não se ouve (os pensamentos, as sensações, os sentimentos, as motivações etc.) é veiculado indiretamente e serve de complemento àquelas informações básicas, em alguns pontos da narrativa.

4. O enquadramento.

   No romance tradicional, o narrador em primeira pessoa ou, especialmente, em terceira pessoa, enquadra constantemente os eventos que vão sendo apresentados aos leitores, "ensinando" a eles o real significado de um fato, explicando a motivação dos personagens, passando informações essenciais desconhecidas pelos personagens ¾ entre tantos outros recursos de orientação explícita e direta dos leitores.

   No roteiro romanceado, essa função é cumprida pelos elementos comportamentais (atos, posturas, olhares, falas) e materiais (ambientes, objetos) da cena. Eles devem trazer implícito o enquadramento dos fatos, por seu simbolismo, por sua relação com o tema, pelos resultados das interações. Há um mínimo de enquadramento explícito da parte do narrador.

  Quadro comparativo

Seguem-se algumas comparações para ajudar a entender as características do roteiro romanceado. Para cada uma das formas literárias abaixo, utilizei o conteúdo mais freqüente, baseando-me na regra e não nas exceções.

ROTEIRO ROTEIRO ROMANCEADO ROMANCE
DESTINAÇÃO
Avaliação para possível uso na fase inicial de projeto cinematográfico Leitura, ou desenvolvimento em roteiro ou romance Leitura
EXTENSÃO
De 100 a 120 páginas 300 páginas ou mais 100 páginas ou mais
Divisão em cenas Divisão em partes, capítulos e cenas Divisão em partes, capítulos e partes de capítulos (algumas com cenas)
TEMA E ASPECTOS TEMÁTICOS
Introduzidos aos poucos Expostos com clareza nas cenas iniciais Introduzidos aos poucos
Presença dominante na história Onipresença na história
Principais fatores de seleção do conteúdo
Presença diluída na história
SIMBOLISMO
Simbologia rara Onipresença de símbolos Uso eventual de símbolos
NARRADOR
Foco narrativo de terceira pessoa onipresente (câmera) ou de primeira pessoa (mais raro, em voice over) Foco narrativo de terceira pessoa limitada (acompanhando o personagem central) ou de primeira pessoa (raro) Foco narrativo de primeira ou terceira pessoa (onisciente ou limitada)
Narrador invisível Narrador raramente visível Narrador intruso
Não participa do significado dos eventos e da história (transmitido pelos próprios fatos ou por declarações de personagens) Não participa do significado dos eventos e da história (implícito nos fatos e nas outras escolhas autorais) Portador do significado dos eventos e da história
Foco na linha central da história e em uma ou duas histórias secundárias Foco na linha central da história Foco na linha central da história e em uma ou várias histórias secundárias
TEMPO NARRATIVO
Presente Presente Passado (principal), passado remoto e presente (mais raro)
HISTÓRIA
Predominância da ação Predominância do diálogo Predominância da narração
Antecedentes expostos em falas ou flashbacks Antecedentes expostos em falas ou documentos Antecedentes expostos em falas, flashbacks, pensamentos e narração
Início pouco antes da situação dramática central Início na situação dramática central Início pouco ou bem antes da situação dramática central
Progressão no sentido da resolução da trama, com eventuais interrupções e ocorrência de tempo estático Progressão inflexível no sentido da resolução da trama, sem interrupção ou ocorrência de tempo estático Progressão marcada por interrupções freqüentes e pela ocorrência repetitiva de tempo estático
Atenuação eventual do impacto emocional da situação dramática central Intensificação contínua da situação dramática central Freqüente atenuação do impacto emocional causada por intervenções do narrador, descrições, foco no mundo interior dos personagens etc.
Uso freqüente de situações padronizadas do gênero escolhido (reconfiguração de chavões do cinema) Eliminação intencional de chavões de gêneros Uso liberal de chavões do gênero literário
Final fechado, mostrando a resolução do problema central Final aberto no nível social e fechado ou semi-aberto no nível individual Final fechado (romance comercial) ou aberto (romance culto)
CENAS
Nem sempre essenciais, quanto ao critério de necessidade (introdutórias, de alívio dramático, apelativas etc.) Essenciais e indispensáveis (nenhuma pode ser eliminada) Nem sempre essenciais (explicativas, redundantes, de reforço etc.)
Cenas intimamente associadas à história Cenas intimamente associadas ao tema Cenas com graus variados de coesão quanto à história e ao tema
Cenas diretas: ações, falas e interações Cenas diretas (dominantes), descrições, sumários e narração (rara) Narração (dominante), cenas diretas, descrições e sumários
Elementos supérfluos (efeitos fáceis, ações apelativas, excesso de diálogo) Nenhum elemento supérfluo Elementos supérfluos (descrições extensas, psicologismo, intervenções do narrador)
PERSONAGENS
Psicologia mostrada ou sugerida Psicologia mostrada ou sugerida, raramente explicada Psicologia explicada
Nenhum acesso direto ao mundo interno (exceto em voice over) Acesso indireto ao mundo interno, via narrador Acesso pleno ao mundo interno
DIÁLOGO
Diálogo naturalista Diálogo naturalista precedido de indicações Diálogo naturalista e/ou literário, sucedido por indicações
ESTILO
Estilo telegráfico Estilo sintético Estilo verborrágico
Serve ao avaliador do roteiro Serve à história Serve ao narrador
Descrições telegráficas Descrições sintéticas Descrições extensas
Frases diretas Frases que apelam à imaginação Frases literárias
EFEITO NO RECEPTOR DA OBRA
Experiência coletiva (quando filmado) Experiência individual Experiência individual
Percepção direta, auditiva e visual, dos fatos (quando filmado) Filme projetado na mente, complementado por informações literárias História contada oralmente, recheada de informações
Reações externas (comportamentos), estimuladas diretamente (quando filmado) Reações internas (mais emocionais que intelectuais), estimuladas indiretamente Reações internas (mais intelectuais que emocionais), estimuladas indiretamente
ESSÊNCIA
Imagens, sons e falas (quando filmado) Palavras Palavras
Espetáculo e emoção Pessoas e valores Linguagem e significados

  O roteiro romanceado e o roteiro cinematográfico

Do roteiro cinematográfico, o roteiro romanceado toma emprestados:

. A valorização da história, em relação aos elementos literários.

. O foco de atenção em um ou mais (poucos) personagens, responsáveis pelas ações decisivas da história.

. A predominância da cena direta, entre os elementos do enredo.

. O uso freqüente do diálogo naturalista (isto é, aproximado ao da realidade) nas cenas.

. A descrição rara e breve dos ambientes, dos personagens e de seus comportamentos.

   No roteiro cinematográfico, essa descrição é esquemática, destina-se ao diretor e está dissociada do corpo da história. No roteiro romanceado, a descrição é literária (embora sintética), destina-se ao leitor e está integrada à narrativa.

. A relação lógica entre o conteúdo das cenas (ainda que a lógica seja artística, ou seja, derivada da intenção do autor).

. A progressão do enredo no sentido da resolução do problema central da história.

. O agravamento da situação do personagem central e a intensificação do efeito emocional da história no leitor.

. O final que esclarece pontos importantes da história.

Do roteiro cinematográfico, o roteiro romanceado descarta:

. As indicações de como as cenas devem ser "filmadas".
A obra não se destina à filmagem, mas à leitura.

. Os clichês de situação próprios de cada gênero (exceto quando a intenção é de paródia ou de comentário sobre as regras do gênero).

   Esses clichês são descartados por representarem escolhas de baixo nível artístico.

   Exemplos: as cenas repetitivas de luta e de perseguição, nos filmes de ação e aventura; as situações de susto e de suspense demorado e forçado, nos filmes de horror; as cenas de bate-boca em lugares públicos, nas comédias românticas.

. A condução cinematográfica da trama, caracterizada por apelos constantes à emoção e indicativa da intenção de estimular ao máximo o sistema nervoso do espectador.

   Uma diferença importante: a "estética do exagero" é substituída, no roteiro romanceado, pela condução literária da narrativa e pela busca de reações internas (emocionais e intelectuais) do receptor da obra, e não de reações externas (emocionais e comportamentais), como ocorre durante a recepção de um filme.

   No roteiro romanceado, o cinema de espetáculo e emoção dá lugar à literatura de pessoas e valores.

Do filme de cinema, o roteiro romanceado descarta (obviamente):

. A trilha sonora, de função muito importante num filme por indicar ao espectador não só a natureza de cada cena (cômica, trágica, romântica etc.) como também a intensidade da reação afetiva desejada pelo diretor (sugerida pelo volume do som).

. As imagens visuais concretas, com sua capacidade de comunicar instantaneamente ao espectador as características físicas dos personagens, seus comportamentos não verbais e as circunstâncias dos ambientes.

   O autor do roteiro romanceado aproveita a imaginação do leitor para preencher essas lacunas informativas, no sentido de suas intenções artísticas, ora utilizando um modelo genérico (ex.: um bar, uma prostituta, um professor), ora individualizando esse modelo com características físicas ou comportamentos únicos.

. A qualidade de experiência coletiva proporcionada pela sala de exibição, tanto no seu aspecto sensorial (a escuridão do ambiente, a sensação da poltrona, a presença de outras pessoas, a tela enorme à frente), quanto no aspecto emocional (a intensificação da reação individual à obra, o compartilhamento de emoções e reações), e também no aspecto intelectual (a "inteligência coletiva" demonstrada pelos espectadores na apreensão das dicas, pistas e eventos da história).

   A leitura de um roteiro romanceado é uma experiência íntima e intransferível, cuja natureza depende de uma combinação de fatores pessoais (faixa etária, interesses, ideologia, nível de inteligência, critérios artísticos etc.), diferentes de leitor para leitor, com o conteúdo da obra, idêntico para todos os leitores. Os efeitos da leitura ficam restritos à pessoa específica e geralmente não extrapolam a vivência interna.

   O Cinema é arte planejada para as massas; a Literatura é arte planejada para o indivíduo.

. Outras circunstâncias da recepção de um filme, como a obrigatoriedade de seguir a história até o final (no caso da projeção em cine); a impossibilidade de voltar atrás ou de ir para bem adiante na trama (exceto ao assistir a um filme em fita ou DVD); e os inevitáveis comentários sociais sobre a qualidade da obra e da experiência, logo após o final da exibição, que contribuem para entender pontos da história e até mesmo alterar o significado da própria experiência.

  O roteiro romanceado e o romance tradicional

Do romance tradicional, o roteiro romanceado toma emprestados:

. A concepção geral de uma história longa, complexa e artisticamente trabalhada.

. A presença de um narrador.

   O roteiro romanceado é escrito por um narrador que expressa, em suas escolhas de forma e conteúdo, determinadas intenções quanto ao efeito visado pela leitura da história.

. A possibilidade de revelação direta do mundo interno do personagem, em seus aspectos de sentimentos, sonhos, pensamentos, intenções etc.

   No roteiro romanceado, toda experiência interna é descrita somente por seu efeito externo.

   . O sumário narrativo, que pode abranger desde uma breve passagem até um extenso período de tempo.

   . O tamanho relativo da obra.

   Nenhum roteiro cinematográfico e raras novelas chegam ao tamanho mínimo de 300 páginas.

   . A divisão em capítulos.

. Os títulos de capítulos.

Do romance tradicional, o roteiro romanceado descarta:

. A escolha do tempo narrativo.

   O roteiro romanceado é sempre escrito como se as ações estivessem ocorrendo no presente. O presente narrativo coincide com o presente do tempo de leitura. Utiliza-se o passado para ações situadas antes desse tempo narrativo tomado como referência.

. A descrição longa, detalhada e, muitas vezes, floreada, de personagens, ambientes, objetos, paisagens.

  As descrições são raras e sempre sintéticas.

. As intervenções autorais.

   O roteiro romanceado não contém pensamentos, observações, lições de vida, frases de efeito, interpretações psicológicas etc., de autoria do narrador. As intenções do autor e o sentido da história devem ser transmitidos ao leitor pelos próprios eventos do enredo, sem a ajuda de algo ou alguém externo à trama.

. O trabalho de estilo.

   O estilo do roteiro romanceado é sintético e direto, trabalhado somente no sentido da sugestão e do apelo à imaginação. O estilo serve à história, em vez de servir à exibição artística do autor.

  A questão do gênero

Se aplicarmos a noção de "gênero literário" ao conto, à novela, ao romance e ao roteiro de cinema, considerando também que cada um desses gêneros apresenta uma forma específica, concluiremos que o roteiro romanceado não é um novo subgênero do romance ou do roteiro cinematográfico, por dois motivos.

. Primeiro porque ele é, antes de tudo, um modelo formal, e não de conteúdo. Exemplos de modelo de conteúdo: o romance policial, o romance de tese, o romance de amor, ou o roteiro cômico, dramático, de ação e aventura etc.

. Segundo, esse modelo formal permite o aproveitamento de todos os subgêneros do romance e também de todos os do roteiro de Cinema, além de possibilitar todas as combinações viáveis entre eles. Ou seja, abrange mais conteúdos do que cada um daqueles gêneros, separadamente.

Trata-se, então, de uma nova forma literária, um novo modo de narrar uma história, distinguindo-se da forma desenvolvida do romance e da forma convencional do roteiro pela estrutura formal, da qual derivam suas principais características de conteúdo: precisão de foco e concentração de efeitos.

As características do roteiro romanceado, especificadas mais acima, bastam para distingui-lo tecnicamente do conto. O roteiro romanceado abrange várias situações, vários personagens e também vários períodos de tempo ficcional; desenvolve de maneira plena um tema e seus aspectos mais relevantes; e mostra o desenvolvimento do protagonista ao longo da história.

Quanto à distinção entre roteiro romanceado e novela, esta apresenta um número bem menor de páginas. E, considerando-se o conteúdo, o roteiro romanceado pode ser visto como um "romance comprimido", um projeto desenvolvido de romance completo. Escrevendo-se um roteiro romanceado na forma literária tradicional e desenvolvendo-se, com o auxílio de um narrador mais ativo, as situações que nele aparecem apenas esboçadas, teríamos um "romanção" de tamanho e características convencionais.

Assim como o romance, o roteiro romanceado aproveita, em relação à novela, mais recursos literários (tempos, cenas, ambientes etc.) dentre aqueles disponíveis a um ficcionista.

Visualmente, o roteiro romanceado aproxima-se mais do roteiro cinematográfico, mas também difere dele tanto na forma de apresentação quanto no conteúdo, pelas razões mostradas acima.

Trata-se, portanto, de um novo gênero, baseado numa abordagem original do ato literário. Trata-se também de uma forma diferenciada de contar uma história.

  A utilidade do roteiro romanceado para os autores

As sugestões abaixo são especulativas, já que somente o teste efetivo delas por outros autores permitiria verificar a sua validade.

A criação de um roteiro romanceado poderia ser útil a escritores que:

. Já escolheram uma idéia ou tema para romance, mas não disponham de tempo suficiente para desenvolvê-lo nessa forma literária, com a maestria exigida por seus critérios artísticos.

. Apreciem trabalhar artisticamente com o enredo, as ações e os diálogos, mais do que trabalhar com o estilo, a narração da história e a exploração da vida interior dos personagens.

. Desejem conhecer na prática a estrutura de gêneros literários ainda não experimentados.

. Gostariam de treinar a aplicação da forma em vários gêneros e várias histórias até achar aqueles (gênero e história) que lhes agradem o suficiente para se sentirem motivados ao trabalho completo de redação de um romance.

. Tenham como objetivo pessoal aperfeiçoar-se no domínio da estrutura de um ou vários gêneros.

. Valorizem a versatilidade criativa e tenham como objetivo profissional dominar vários gêneros da ficção.

. Queiram praticar, apenas como experiência ou por brincadeira, algum gênero até então encarado com certo desprezo ou superioridade intelectual.

. Sendo roteiristas profissionais ou amadores, desejem usar a publicação de uma história em livro para divulgar o seu trabalho, visando atrair o interesse de um produtor ou cineasta.

. Pretendam penetrar no mercado editorial por um atalho (uma forma literária nova, cujos raros originais não competem com os milhares de romances de autores novos atualmente em circulação nas editoras).

  A destinação do roteiro romanceado, como obra de ficção

O roteiro romanceado destina-se, como leitura, a quem:

. Tenha preferência por histórias ao estilo antigo, com começo, meio e fim, e sentido acessível ao leitor.

. Goste de narrativas ágeis e envolventes, baseadas em cenas diretas, interações carregadas de emoção, ações importantes e diálogos significativos.

. Aprecie histórias cuja trama se desenvolve continuamente, em vez de permanecer estática por longo tempo.

. Tenha pouca paciência para ler longas descrições de ambientes e paisagens, ou revelações demoradas do mundo interior de um personagem, ou ainda explicações elaboradas sobre suas motivações psicológicas.

. Não aprecie o narrador tagarela ou verborrágico, especialmente o de terceira pessoa, que interrompe freqüentemente a história para comentar e explicar cada evento, promover a sua filosofia de vida, ou tentar convencer o leitor da adequação de seus gostos e aversões.

. Sinta-se incomodado com autores cujo trabalho de estilo, muito nítido, desvia a atenção do conteúdo para a forma, prejudicando o acompanhamento da história.

  Outras utilidades do roteiro romanceado

Ainda no terreno das especulações, o roteiro romanceado pode servir:

. Em cursos de técnica da escrita criativa, como exercício de estruturação de histórias, tanto para roteiristas quanto para romancistas.

. Em cursos de Letras, para oferecer ao estudante uma rápida apreensão do processo de construção da estrutura narrativa de cada um dos gêneros do romance ou do roteiro.

. Na prática pessoal, para proporcionar a um aspirante a escritor a experiência de ter uma visão geral do enredo de seu futuro romance.

  Resumo das características do roteiro romanceado

. A destinação.

. Leitura por um indivíduo, em situação semelhante ao do leitor de contos, novelas e romances.

. A forma.

a) O tamanho.

. Tamanho mínimo ideal: 300 páginas.

b) As divisões internas.

. Divisão em partes (opcional), em capítulos titulados e cenas também tituladas.

c) Os recursos de orientação e ênfase.

. Indicação de tempo, lugar e características ambientais: no "cabeçalho" da cena.

. Diálogos: interlocutor especificado antes da fala; rubrica opcional seguindo-se ao nome e indicando atitude, intenção, emoção ou, eventualmente, ato do personagem.

. Recursos eventuais de ênfase: itálico, negrito, separação de sílabas, reticências etc.

. O conteúdo.

a) Geral.

. Obra íntegra, mas que poderia ser trabalhada para gerar um romance tradicional ou um roteiro cinematográfico (este menos que aquele).

. História longa, complexa e artisticamente trabalhada, centrada geralmente em um ou dois protagonistas, com começo, meio e fim, e sentido acessível ao leitor.

b) O tema e as intenções autorais.

. Tema introduzido com clareza nas cenas iniciais e desenvolvido com integridade no restante do enredo.

. Tema e enfoque do tema servindo como principais fatores de seleção de conteúdo, para o autor.

. Intenções do autor e sentido da história transmitidos pelos próprios eventos do enredo, sem necessidade de declarações explícitas do narrador.

c) O tempo narrativo.

. Tempo narrativo situado no presente.

. Utilização do pretérito (em diálogos) para as ações transcorridas antes desse tempo narrativo tomado como referência.

d) A narrativa e o narrador.

. Narrativa ágil e envolvente, baseada em cenas diretas, interações carregadas de emoção, ações importantes e diálogos significativos.

. Focos narrativos.

a) Terceira pessoa: o mais freqüente; atitude objetiva; narrador quase "invisível"; descrição ocasional e indireta do mundo interno dos personagens (sentimentos, pensamentos, atitudes, intenções); contenção quanto ao propósito de "exibir-se" ao leitor (pensamentos, observações, lições de vida, frases de efeito, interpretações psicológicas).

b) Primeira pessoa: vivência do personagem revelada quando em relação com os eventos da narrativa, sempre no contexto de cenas diretas; contenção quanto ao propósito de "exibir-se" ao leitor.

. Recursos narrativos.

a) Exposição dos fatos anteriores à situação inicial da história: breve, relevante e, se possível, em forma de cena.

b) Sumário narrativo: empregado em trechos de pouca importância dramática.

c) Descrição de ambientes, personagens e comportamentos: relevante, sintética e integrada à narrativa.

d) Enquadramento dos fatos: função cumprida pelos elementos comportamentais (atos, posturas, olhares, falas) e materiais (ambientes, objetos) da cena, pelos aspectos simbólicos, pela relação dos eventos com o tema e pelo resultado das interações. Ausência de enquadramentos diretos de responsabilidade do narrador.

e) O enredo.

. História estruturada que desenvolve de maneira plena um tema e seus aspectos mais relevantes.

. Critério de estruturação: a seqüência utilizada por um cineasta, caso pretendesse filmar a história, ou por um romancista, caso estivesse escrevendo um romance tradicional centrado somente em cenas.

. Concentração do foco de atenção em um ou mais (poucos) personagens, responsáveis pelas ações decisivas da história, e no desenvolvimento desses personagens na trama.

. Fatores de dinamismo: as motivações dos personagens, expressas em diálogos e ações.

. Nível relativo de complexidade: vários personagens, várias situações e vários períodos do tempo ficcional.

. Escolha de ambientes, detalhes, comportamentos e interações: idealmente, simbólicos e sugestivos.

. Utilização tanto do modelo genérico de caracterização, para personagens menores (ex.: uma prostituta, um professor), quanto da individualização do modelo (pessoa com características físicas ou comportamentos únicos), para os personagens principais.

. Desenvolvimento do personagem central: menos elaborado que o do romance tradicional, mas semelhante em essência.

. Predominância da cena direta, entre os elementos do enredo.

. Cenas iniciais servindo de símbolo da situação básica, além de revelarem o tema.

. Cenas seguintes: tão simbólicas quanto as iniciais; fidelidade ao foco central.

. Desenvolvimento contínuo da trama, sem nenhum trecho de paralisação da história.

. Progressão da trama no sentido da resolução do problema central da história.

. Ausência de clichês de situação próprios de cada gênero.

. Contínuo agravamento da situação do personagem central e progressiva intensificação do efeito emocional da história no leitor.

. Condução emocional da trama, sem apelar para a estética do exagero (isto é, a emoção pela emoção, a estimulação máxima e contínua do sistema nervoso, sem justificativa artística).

. Parte final que esclarece pontos importantes da história e representa, ao menos, algum grau de fechamento da questão central do enredo.

. Concentração de efeitos artísticos, tanto nos efeitos imediatos quanto nos efeitos finais da história.

f) As cenas.

. Proporção das formas narrativas na cena (ordem decrescente): diálogo-ação-descrição-sumário-presença do narrador.

. Todas as cenas: essenciais à história. Nenhuma pode ser eliminada sem afetar seriamente o todo da história ou alguma de suas partes.

. Critério de inclusão de elemento da cena: cada elemento conta, é importante e influencia o desenrolar da trama.

. Diálogo: estilo naturalista (isto é, aproximado ao da realidade).

. Critério da redação de cenas: síntese. Ações e falas transmitidas ao leitor do modo mais sintético possível.

. Critério de relação entre o conteúdo das cenas: a lógica dos fatos ou a lógica artística (aquela que deriva das intenções do autor).

g) O estilo.

. Linguagem.
Uso criterioso: cada palavra conta, é necessária e eficiente.

. Síntese.
Concentração de efeitos: o máximo no mínimo.

. Precisão.
A melhor palavra para o referente.

. Estimulação mental e emocional.
Preferência: palavras que estimulem a memória e a imaginação do leitor e criem representações mentais definidas e fortes, geradoras de intenso efeito emocional.

. Uso da sugestão.
O máximo possível de palavras simbólicas e sugestivas.

. Contenção artística.
O estilo serve à história, em vez de servir à exibição dos talentos do autor.

h) A recepção pelo leitor.

. Distância psicológica em relação à história.
Mínima: o leitor acompanha diretamente os eventos.

. Distância psicológica em relação ao personagem central.
Média: o leitor acompanha o personagem, mas tem pouco acesso ao mundo interior dele.

. Efeitos emocionais da leitura: semelhantes aos do romance tradicional, embora mais concentrados.

. Efeito geral desejado: a transferência da posição do autor sobre o tema (o enfoque temático), da mente dele à mente do leitor. Posição composta de um efeito emocional (a atitude) e um efeito intelectual (a perspectiva).

. Vivência geral da leitura: um filme projetado na tela da mente, acrescido de informações literárias.

i) Os passos da criação do roteiro romanceado.

1. Priorizar os elementos formais do roteiro, incluindo nessa estrutura os elementos do romance.

2. Escolher o tema da história e o enfoque temático.

Escolhas dependentes dos efeitos visados pelo autor.
Principais fatores de seleção do conteúdo da história.

3. Pensar em cenas diretas e interativas.

Base da história: o que se vê e o que se ouve, do ponto de vista de um observador externo aos personagens.
Complemento eventual: o que não se vê e o que não se ouve (os pensamentos, as sensações, os sentimentos, as motivações etc.), transmitidos indiretamente.

4. Evitar os enquadramentos autorais.

O mínimo de mediação da história pelo narrador.
Idéias, sentimentos, posições, motivações etc., tanto as do autor quanto as dos personagens: representadas na forma de cenas, ou seja, em atos e falas.

j) Os gêneros.

. Todos os do romance tradicional, todos os do roteiro cinematográfico, mais todas as combinações viáveis entre eles.

O roteiro romanceado é o cinema da imaginação.

Sérgio Barcellos Ximenes
2005/2010