Curiosidades Sobre os Acrósticos - 2
Acrósticos de morte, de amor e de brincadeirinha
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O túmulo de John Keats, escritor falecido em 1825, possui um acróstico gravado em homenagem ao poeta inglês. O poema foi mostrado num artigo publicado em agosto de 1877 na Harper's New Monthly Magazine (Nova Revista Mensal da Harper):
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Acróstico em homenagem a John Keats
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Diz o poema: "Keats, se teu querido nome fosse 'escrito em água' / Cada gota teria caído na face de alguma mulher / Um sagrado tributo tal como os heróis buscam / Embora geralmente em vão, por deslumbrantes feitos de carnificina / Dorme! Não menos honrado por um epitáfio tão humilde".
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Outro acróstico que homenageia um morto foi divulgado no periódico norte-americano The Living Age (O Tempo Vivo) em 6 de maio de 1854, reproduzindo um comentário publicado na revista inglesa Notes and Queries (Notas e Indagações). As letras do acróstico são repetidas no lado esquerdo do poema, para que todos percebam o nome do homenageado. A inscrição faz parte de uma placa de bronze exposta na igreja inglesa de Ash, no condado de Kent. Na seqüência do poema, é relatada a época da morte: o século XVI.
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Outro acróstico fúnebre
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Mais ameno e simpático é o acróstico formado pelas letras iniciais dos versos de uma canção de amor do século XIX, exposta no site da Biblioteca do Congresso Norte-Americano. O acróstico, que orna uma declaração das mais sinceras possíveis, reproduz o título da música: "Mary, Você me Aceita?".
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Acróstico em canção de amor
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Um outro acróstico muito citado em obras de jogos de palavras é o que possui as palavras UNITE (unir) e UNTIE (desatar) nas extremidades. Veja logo abaixo a reprodução dele, publicada na Notes and Queries (Notas e Indagações) de 12 de outubro de 1861. O nome da autora, Louisa H. Sheridan, nunca havia sido revelado, até agora. Ela conta que teve a idéia de criar o acróstico duplo ao ouvir um amigo dizer que as palavras unite e untie, de sentido oposto, eram compostas das mesmas letras:
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O acróstico "unite-untie"
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Por volta de 1830, desenvolveu-se na Inglaterra a moda da jóia em acróstico. O acróstico era formado pela primeira letra de cada uma das pedras incrustadas numa base. Por exemplo, a palavra Regard (Consideração) era formada por um rubi (r), uma esmeralda (e), uma granada (g), uma ametista (a), um rubi (novamente, r) e um diamante (d). A peça era ofertada como prova de amor ou amizade. Este trecho escaneado do periódico Illustrated London News (Notícias Ilustradas de Londres), de 1856, relata uma oferta semelhante, realizada de modo bastante original:
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O acróstico de jóias ... num peixe
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O articulista conta sobre um bandó (faixa usada pelas mulheres para cingir o chapéu ou a própria cabeça) feito de ouro puro e ornado com seis pedras preciosas. No acróstico formado pelas letras iniciais dessas pedras, devido à seqüência em que apareciam, lia-se "Rachel", o nome da atriz dramática homenageada pelo trabalho. O acróstico referia-se tanto às pedras (Rubi, Ametista, Cornalina, Hematita, Esmeralda e Lápis-lazúli), quanto às personagens interpretadas pela atriz (Roxanne, Aménaide, Camille, Hermione, Emilie e Laodice). Mas o ponto realmente original refere-se ao modo como o presente foi entregue à atriz. Acostumada a comprar peixes de um fornecedor francês, Rachel encomendou-lhe uma carpa do rio Reno. Ao abri-la, a surpresa: dentro do peixe, encontrou o bandó com o acróstico de jóias.
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O mais raro dos acrósticos é o quádruplo, devido à dificuldade de encontrar 4 palavras diferentes que cruzem no sentido vertical, ou de conseguir que a mesma palavra apareça 4 vezes nesse sentido. Essa última opção foi a escolhida por um poeta anônimo que satirizou a eleição de Sir James Graham, intitulando seu poema "Quebra-Cabeças para Ministros". A imagem reproduz sua publicação na Notes and Queries (Notas e Indagações) em 30 de maio de 1863:
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Acróstico quádruplo - uma raridade
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Mais difícil ainda é o acróstico alfabético em que todas as letras iniciais das palavras devem ser semelhantes, em cada verso. Mero exercício de habilidade lingüística, não se conhece nenhum exemplar do gênero que tenha alguma qualidade artística. O exemplo mostrado abaixo saiu na revista Notes em Queries em 1º de maio de 1859, sem que se soubesse o autor.
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Acróstico alfabético - o mais difícil
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Na década de 80 do século XIX os acrósticos eram usados em propagandas, para facilitar a memorização do nome do produto e de suas qualidades. Tornou-se famoso o uso do acróstico Rising Sun Stove Polish, (Polidor de Fogões Sol Nascente) em cartões destinados aos negros norte-americanos. O produto era um sabonete para fogões.
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Uso do acróstico em propaganda - 1
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É daquela mesma década esse acróstico alfabético "facilitado", presente num tablóide de propaganda do sabonete Dingman:
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Uso do acróstico em propaganda - 2
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Em 11 de abril de 1891, a revista infanto-juvenil norte-americana Golden Days For Boys and Girls (Dias Dourados Para Meninos e Meninas) publicou este curioso poema baseado numa brincadeira com as palavras e os significados de cross (cruz, cruzar), across (através) e stick (pau, cravar), cujo resultado final era a palavra acrostic (acróstico):
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Poema lúdico sobre o acróstico
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A partir da próxima página, estão disponíveis dezenas de imagens de jogos de acrósticos, em dez modalidades, escaneadas de publicações norte-americanas que saíram entre 1865 a 1913.
Clique aqui se quiser pular essas imagens e passar para a seção sobre o jogo do quadrado de palavras, o primeiro passatempo em que todas as palavras cruzavam nos sentidos vertical e horizontal.
Para um resumo dos fatos apresentados nesta última seção, clique aqui. Para uma cronologia sobre o tema desta seção, clique aqui.
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Referências
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Illustrated London News, George C. Leighton, Londres, 1856
Imagem da Harper's New Monthly Magazine reproduzida com a permissão do site do Projeto Making of America
Imagem da Littell's Living Age, 6/5/1854, reproduzida com a permissão do site do Projeto Making of America
Notes and Queries, George Bell, Londres, 1/5/1859, 12/10/1861, 30/5/1863
Site da Biblioteca do Congresso Norte-Americano
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Páginas iniciais: Roteiro Romanceado | História | Índice Geral | Ancestrais | Os Acrósticos
Autor: Sérgio Barcellos Ximenes
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