História das Palavras Cruzadas

Cronologia dos fatos relativos às "cruzadas" egípcias.

 

As "Cruzadas" Egípcias
Cronologia
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XII Dinastia (1990 - 1785 a.C.)
  • Cerca de 1900 a.C.
    . Papiros contendo acrósticos em textos com hieróglifos.
    . Provas materiais de que os antigos egípcios foram os criadores dessa prática de cruzamento de signos lingüísticos.
    . Início da evolução que levaria às "cruzadas" de hieróglifos, cerca de 600 anos depois.
XVIII Dinastia (1567 a.C. - 1320 a.C.)
  • Cerca de 1350 a.C.
    . Reinado do faraó Akhenaton (1372 - 1354 a.C.).
    . Estela encontrada na tumba de Kheruef (número 192), intendente da esposa do faraó.
    . A mais antiga estela que apresenta uma grade dentro da qual todos os hieróglifos gravados cruzam nas direções horizontal (as linhas) e horizontal (as colunas). Cada um desses signos lingüísticos faz parte de uma linha e de uma coluna de hieróglifos, ambas com sentido inteligível.
    . O mais antigo jogo de cruzamento de signos lingüísticos até hoje conhecido. Provavelmente, o segundo mais antigo jogo de palavras, perdendo em antigüidade apenas para as adivinhas. E o primeiro jogo de palavras que exigia uma base material para ser produzido.
    . Prova material de que os antigos egípcios também foram os criadores da prática de cruzamento de signos lingüísticos com finalidade lúdica.
    . Marca o ponto final da evolução da prática iniciada cerca de 600 anos antes, em papiros, com os acrósticos compostos em poemas.
    . Local: Tebas.
XIX Dinastia (1320 - 1200 a.C.)
  • Cerca de 1290 a.C.
    . Reinado do faraó Ramsés II (1300 - 1230 a.C.).
    . Estela funerária de Neb-wenenef, sumo sacerdote de Ramsés II entre 1300 a.C. e 1289 a.C.
    . Apresenta 11 linhas de hieróglifos e um acróstico central, o mais antigo já encontrado.
    . Local: Tebas (tumba de Neb-Wenenef).
XX Dinastia (1200 - 1085 a.C)
  • Cerca de 1140 a.C.
    . Reinado do faraó Ramsés VI (1141 - 1133 a.C.).
    . Estela de Paser.
    . Contém um jogo completo de palavras cruzadas, originariamente com 80 linhas e 80 colunas de hieróglifos, todas cruzando umas com as outras e formando 160 frases de sentido inteligível. Presença de uma grade que delimita o passatempo e que abrange as casas com hieróglifos; presença do "cruzadês" (problemas no cruzamento dos conceitos); e de uma denominação especial para essa prática, gravada acima do jogo ("escrita para ser lida de três maneiras").
    . Estela criada com finalidade lúdica, explicada pela linha que encima a "cruzada".
    . Ápice técnico da evolução iniciada com os acrósticos em papiros. Prova material de que os antigos egípcios foram o povo que mais desenvolveu a perícia no cruzamento de palavras, até hoje não superada por nenhum outro povo moderno.
    . Local: Karnak.
XXI Dinastia (1085 - 950 a.C.) e XXII Dinastia (950 - 820 a.C.)
  • Anos não especificados.
    . Dois fragmentos de uma estela cujas inscrições contêm vários acrósticos, marcando a primeira ocorrência registrada de um texto com vários acrósticos distantes uns dos outros.
    . Outra estela, apresentando a grade (de tamanho não especificado) e o cruzamento total de hieróglifos.
Época Moderna
  • 1817.
    . Descoberta da estela de Paser pelo explorador italiano Giovanni Belzoni.
    . Local: Karnak, Egito.

  • 1820 ou 1821.
    . Venda da estela de Paser para o British Museum (Museu Britânico).
    . Local: Londres, Inglaterra.


  • Janeiro de 1938.
    . Publicação do artigo Acrostiches et Mots Croisés des Ancients Égyptiens (Acrósticos e Palavras Cruzadas do Egípcios Antigos), do professor J. J. Clère, no número 25 da revista arqueológica Chronique d'Égypte (Crônica do Egito).
    . O primeiro texto a revelar a existência de acrósticos e de cruzamentos complexos de hieróglifos em estelas encontradas no Egito e datadas dos séculos XIII a.C. a X ou IX a.C.
    . Local: Bruxelas, Bélgica.


  • 1966.
    . Publicação do livro An Ancient Egyptian Crossword Puzzle (Um Problema de Palavras Cruzadas do Antigo Egito), do arqueólogo Jan Zandee, sobre a estela de Neb-wenenef. Também contém informações sobre a estela de Paser e imagens dela.
    . Local da publicação do livro: Leiden, Holanda.


  • Agosto de 1971.
    . Publicação do anuário científico Journal of Egyptian Archaeology (Revista de Arqueologia Egípcia), que contém o mais detalhado estudo sobre a estela de Paser.
    . Artigo: A Crossword Hymn to Mut (Um Hino de Palavras Cruzadas para Mut), do professor H. M. Stewart.
    . Primeira apresentação da tradução das 80 linhas horizontais e 67 linhas verticais ainda visíveis na pedra.
    . Contém uma referência à mais antiga estela egípcia com a grade e o cruzamento total de hieróglifos, criada no reinado de Akhenaton e tema de um possível artigo do egiptólogo Charles Francis Nims nos anos seguintes.
    . Local: Inglaterra.


  • 1980.
    . Publicação do livro The Tomb of Kheruef : Theban Tomb 192 (O Túmulo de Kheruef: Tumba Tebana 192), pela Epigraphic Survey, em colaboração com o Departamento de Antigüidades do Egito, do Instituto Oriental da Universidade de Chicago.
    . Na tumba de Kheruef foi encontrado o mais antigo exemplar de uma estela contendo cruzamento de hieróglifos, datado de cerca de 1350 a.C.
    . Local: Estados Unidos.


  • 1997.
    . Publicação do livro Studies on Ancient Egypt in Honour of Herman te Velde (Estudos sobre o Antigo Egito em honra de Herman te Velde), que traz o artigo Mut Enthroned (Mut Entronizada), do arqueólogo L. Troy, sobre a estela de Paser.
    . O mais recente artigo científico sobre a estela de Paser.
    . Local: Groningen, Holanda.


  • 1999.
    Publicação do livro Cracking Codes - The Rosetta Stone and Decipherment (Quebrando Códigos - A Pedra de Roseta e sua Decifração), cujas páginas 84 e 85 confirmam a existência dos cruzamentos de hieróglifos na estela de Paser e a função social das inscrições.
       Para um resumo das informações apresentadas nas duas primeiras seções, clique aqui.

       Na próxima página, leia sobre as estelas gregas e sua curiosa forma de distribuição de palavras que se assemelhava (e não mais que isso) à "cruzada" egípcia.
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Autor: Sérgio Barcellos Ximenes