História das Palavras Cruzadas

Foto da estela de Paser, cujas inscrições contêm um sofisticado jogo de cruzamento total de hieróglifos.

 

Uma Pequena Maravilha da Antigüidade
Mais uma prova material
¾¾¾¾¾¾

      Veja abaixo a imagem escaneada, completa, da estela de Paser, o maior e mais complexo jogo de signos lingüísticos criado por um povo da Antigüidade.
Foto da estela de Paser

Imagem escaneada da Estela de Paser
Para efeito de comparação, imagine um esquema de palavras cruzadas que tivesse esse tamanho relativo (80 x 80).
Comentários
  • Observe a incrível precisão das linhas divisórias traçadas na pedra. Cada quadradinho tinha cerca de 12 mm de lado, dentro do qual o escriba teve que esculpir, às vezes, 5 símbolos.

  • O título dado à estela pelo British Museum é The 'Crossword' stela of Paser (A Estela de Paser com Palavras Cruzadas). Ela foi encontrada em Karnak, na antiga cidade egípcia de Tebas, e seu texto contém um hino à deusa-mãe Mut, o qual, segundo as informações do Museu, pode ser lido não de duas, mas de três maneiras diferentes. A estela dataria de cerca 1150 a.C., época da XX dinastia (outras fontes apresentam alguns anos a menos). Mede 1,12 m de altura, 84,5 cm de largura e tem 11,5 cm de espessura.

  • A maior parte da estela é coberta pela grade que contém os hieróglifos perfeitamente distribuídos dentro das casas quadradas. O site do Museu Britânico afirma que o texto dentro da grade é formado por 80 linhas horizontais e 67 linhas verticais de hieróglifos. A estela completa provavelmente continha um quadrado de 80 casas x 80 casas. Originariamente, a cor dos símbolos era azul, devido ao pigmento que preenchia os sulcos abertos pelo escriba.

  • O texto oficial do British Museum sugere, como foi dito acima, que a ordenação dos hieróglifos é ainda mais complexa que a imaginada pelos professores Clère e Zandee. Haveria, na verdade, três níveis de leitura, e não apenas dois: em estudo posterior ao relatado pelo professor Zandee teria sido descoberto que, além de poder ser lido nas direções horizontal e vertical, o texto também fazia sentido quando se consideravam apenas as casas das extremidades do diagrama.

  • Outra afirmação do Museu Britânico chega a ser quase inacreditável, não viesse de cientistas respeitados: a estela de Paser era, de fato, um jogo de palavras de caráter social, ou seja, ela teria sido criada para que outras pessoas se entretivessem com seu conteúdo. Textualmente: The point of the puzzle was to decipher and read the different hymns (O sentido do quebra-cabeças era decifrar e ler os diferentes hinos [que ele continha] ). A linha que trazia os hieróglifos significando "palavras cruzadas" era uma espécie de convite, algo como: "Olhem só a surpresa que tenho para vocês. Leiam e descubram".
      Na próxima página, conheça o terceiro estudo científico sobre a estela de Paser, A crossword hymn to Mut (Um Hino de Palavras Cruzadas para Mut), publicado no Journal of Egyptian Archaeology (Revista de Arqueologia Egípcia) de agosto de 1971.
Referências
A Crossword Hymn to Mut, H. M. Stewart, The Journal of Egyptian Archaeology, Volume 57, 1971, imagem reproduzida por cortesia da Egypt Exploration Society
Site do British Museum, Department of Egyptian Antiquities
¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾
Páginas iniciais: Roteiro Romanceado | História | Índice | Ancestrais | As "Cruzadas" Egípcias

Autor: Sérgio Barcellos Ximenes