| História das Palavras Cruzadas |
| A seção de chat (bate-papo) da revista Our Young Folks, em imagens de 1865 e 1867. |
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A Seção de Bate-Papo da "Our Young Folks"
Grandes confissões e pequenas transgressões ¾¾¾¾¾¾ |
| Ao contrário da seção de bate-papo da revista Golden Days for Boys and Girls (Dias Dourados para Meninos e Meninas), que fazia parte do departamento de jogos de palavras, a seção de chat da revista Our Young Folks (Nossa Garotada) era um item autônomo e incluía todos os assuntos. Seu título, Our Letter Box, significava "Nossa Caixa de Correio". |
A seção "Our Letter Box"
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| A imagem abaixo revela um problema comum a essas seções das revistas infanto-juvenis da época: a quantidade de comunicações recebidas a cada mês, que ultrapassava a capacidade operacional das editoras: "Nós aqui não damos conta de todas as cartas que recebemos, mas respondemos a todas as questões que nos parecem exigir uma resposta." |
O acúmulo de correspondência
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| Ter muitas cartas para responder e pouco espaço para a resposta (uma ou duas páginas por mês) obrigava o editor da coluna a adotar um estilo telegráfico. Às vezes, somente o remetente sabia com certeza o significado de certas frases. É o caso das seis primeiras mostradas na imagem seguinte: "Não temos espaço para isso." "Você fez muito bem." "Já acabou." "Tarde demais." "Sua carta nos faz muito felizes." "Não, obrigado." |
O estilo telegráfico
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| Uma comunicação típica dessas seções era a cartinha da criança em dúvida sobre se tinha idade suficiente para escrever para a coluna. Retrucou o editor: "algumas de nossas cartas vêm de crianças bem mais novas que você." |
Dúvida de criança
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| O lado lúdico dos leitores aparecia com freqüências nas comunicações. No recorte abaixo, um deles perguntava: "Quem pode contar como fazer as maiores e mais esplêndidas bolhas de sabão?" |
Brincadeira de criança
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| O lado sincero e ingênuo também aflorava com freqüência. A menina da carta seguinte escreveu-a durante a estada na escola. Ao perceber que a professora de Francês entrara na sala, continuou a cartinha pedindo que o editor "imaginasse (a missivista) concentrada com a testa franzida olhando para aquela horrível gramática e sentindo o tempo todo como seria bom para ela zunir o livro através da sala." A resposta do editor, é claro, foi sensata e adulta. |
Confissão de criança
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| O hoax, embuste típico da Internet, já estava presente nas publicações infanto-juvenis de meados do século XIX. Um exemplo: "Ouvi dizer que, se alguém coleciona um milhão de selos e os envia para Paris, os destinatários enviarão de volta 300 dólares." Na resposta, o editor informava que o embuste já havia circulado várias vezes, sem que as pessoas se dessem conta de sua falsidade. |
Um "hoax" do século XIX
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| A crítica direta também tinha vez na comunicação do editor com os jovens leitores. Ela abrangia a forma da comunicação ("Você devia assinar a carta com 'Respeitosamente', e não com 'Respectivamente'."); o conteúdo ("O enigma é muito longo; setenta e seis letras são demais.") ... |
A função crítica do editor - 1
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| ... a natureza do trabalho ("A Garotinha Birrenta" não é admissível em nossa família bem-comportada.") ... |
A função crítica do editor - 2
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| ... e até mesmo a intenção do autor ("Você deveria ter datado sua carta de primeiro em vez de 4 de abril. Sua admissão seria mais razoável como uma brincadeira do que feita seriamente."). |
A função crítica do editor - 3
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| Os jogos de palavras também eram comentados na seção Our Letter Box. Assim como em outras publicações, a responsabilidade da produção ficava com os leitores, e a da seleção, com o editor. Mas sempre havia o problema da quantidade: "Todo o conteúdo de 'Ao Redor da Lâmpada Noturna' (título da seção de jogos) é suprido pelas crianças, e para cada item que usamos, temos talvez duzentos outros que não são bons o suficiente para serem impressos." O mês era outubro de 1867. |
O problema da quantidade
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| O lado positivo dessa situação ficava por conta da possibilidade de selecionar os melhores jogos, começando pela própria análise da apresentação deles, de modo a garantir o nível de qualidade da coluna: "Temos cestas tão cheias de jogos, que só podemos dar atenção àqueles que são bem escritos e bem elaborados do princípio ao fim." |
Quantidade x qualidade - 1
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| O lado negativo era representado pelas cartas de leitores reclamando por não terem visto seu trabalho impresso na revista. "Seu jogo é realmente bom; mas lembre-se de que só podemos usar os que sejam extraordinariamente bons, e que para cada jogo que usamos há centenas que não podemos utilizar." |
Quantidade x qualidade - 2
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Essas comunicações e respostas, que se repetiam em outras publicações daquela década (o ano era 1867) e das décadas seguintes, deixam claro que:
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| Além de críticas específicas aos jogos enviados e de conselhos técnicos personalizados para o aperfeiçoamento das criações, um outro conteúdo fazia parte periodicamente das comunicações do editor da seção de bate-papo da Our Young Folks: o problema da autoria e do plágio nos jogos. Algumas crianças mais espertinhas ou menos capazes copiavam jogos de outras publicações e os enviavam como se fossem criações originais. |
Denunciando o plágio
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Traduzindo as frases acima: "Você mesmo escreveu isto?" "A charada é de sua autoria?" "Eles são originais seus?" "O conundrum (adivinha baseada em trocadilho) que você diz ter "criado" é bem antigo. Sentimos muito que alguém o tenha criado antes de você." "Você apenas alterou um de nossos rébus."
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| Referências |
| Our Young Folks, Ticknor and Fields, Boston, jan.-dez. de 1865 e jan.-dez. de 1867 |
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Páginas iniciais: Roteiro Romanceado | História | Índice
| Ancestrais | A Era de Ouro do Enigmismo
Autor: Sérgio Barcellos Ximenes
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