| História das Palavras Cruzadas |
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Reprodução da coluna Lessico e Nuvole (Léxico e Nuvem), de Stefano Bartezzaghi, publicada em 8 de junho de 2000 no jornal italiano La Repubblica. O artigo é baseado num acróstico de Umberto Eco enviado ao articulista. |
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Se c'è un segreto, sappi, è il più banale
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| Umberto Eco manda a Lessico e Nuvole questa sua poesia. |
Se tu pretendi, come il mondo suole,
andar cercando strani paragrammi,
trovando stratagemmi di parole
occultate tra i versi, i segni e i grammi,
rinunzia a ogni pretesa d'ermeneutica.
A cercar non si trova. Alcuna regola
riposta, né speranza di maieutica
e di verbal complotto, o d'altra fregola,
potrà svelarti un codice segreto
onde scoprir sotto il mister del verso
taciti indizi, e il sintomo discreto,
e il segno da trovare a tempo perso.
No, caro mio, per sempre impenetrabile
e ascoso ti riman l'inesistente
trama che cerchi, ed il mistero labile,
oscuro del mio verso: il senso è NIENTE.
Poi che io ti conosco, e non rinunzi,
e cercherai nel verso un qualche acrostico,
rifletti. Non cercare occulti annunzi
a far l'endecasillabo men ostico.
Ripeto: quel che dico non ha senso,
ovvero, l'ha, ma è quello letterale.
Tronca la tua ricerca. E ti sia penso
accettar quel che dico, tale e quale.
Se v'è un segreto, sappi, è il più banale.
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| Anche se afferma di non esserlo, di fatto la poesia è un acrostico: ovvero, contiene un messaggio che si ottiene leggendo di seguito le lettere iniziali di tutti i versi. La soluzione dell'acrostico è una frase, a sua volta misteriosa: Sator arepo tenet opera rotas (il seminatore, con l'aratro, tiene in opera le ruote). La frase è il famoso "Quadrato magico", noto sin dall'Antichità. Se scrivete le cinque parole in forma di quadrato, potrete poi leggerle in quattro sensi diversi (dall'alto e dal basso, da sinistra e da destra), e questa particolarità ha reso la frase un vero cult per ogni cabalismo ed esoterismo: nel Rinascimento era usata come formula contro l'idrofobia canina; nel Novecento la si è interpretata come crittografia sacra, dettata dallo Spirito Santo. La frase ritorna anche nel Pendolo di Foucault, il romanzo di Eco sul pensiero ermetico, dove funge da formula rituale per l'affiliazione a sette segrete. |
| Se há um segredo, que tu saibas: é o mais banal. |
| Umberto Eco envia à coluna Lessico e Nuvole este poema composto por ele. |
Se tu, como é costume a todos,
andas procurando estranhos paragramas,
tentando encontrar estratagemas de palavras
ocultos nos versos, nos signos e gramas,
renuncia a toda pretensão de hermenêutica.
A nenhum resultado levará a procura. Nenhuma dissimulada
regra, nem esperança de maiêutica
e de complô verbal, ou de uma outra mania,
poderá revelar-te um código secreto
onde se descubra, sob o mister do verso,
tácitos indícios, e o sintoma discreto,
e o sinal para encontrá-lo oportunamente perdido.
Não, meu caro, para sempre impenetrável
e escondido te permanecerá a inexistente
trama que procuras, e o mistério lábil,
obscuro do meu verso: o sentido é NENHUM.
Pois eu te conheço, e não renuncias,
e procurarás no verso um acróstico qualquer,
reflete. Não procures mensagens ocultas
a tornar o hendecassílabo menos áspero.
Repito: o que eu digo não faz sentido,
ou, o possui, mas é somente literal.
Termina a tua busca. E conforma-te em
aceitar o que eu digo, tal e qual.
Se há um segredo, que tu saibas: é o mais banal.
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| Ainda que afirme não o ser, de fato a poesia é um acróstico: ou seja, ela porta uma mensagem que se obtém lendo em seqüência a letra inicial de cada um dos versos. A solução do acróstico é uma frase, por sua vez misteriosa: Sator arepo tenet opera rotas (o semeador, com o arado, comanda as rodas). A frase é o famoso "quadrado mágico", conhecido desde a Antigüidade. Se você escrever as cinco palavras na forma de um quadrado, poderá então lê-las em quatro sentidos diversos (de cima para baixo, de baixo para cima, da esquerda para a direita e da direita para a esquerda), e essa particularidade tem feito da frase um verdadeiro culto para os adeptos da Cabala e do Esoterismo; no Renascimento, era usada como uma fórmula contra a hidrofobia canina; no século XIX foi interpretada como uma criptografia sacra, ditada pelo Espírito Santo. A frase retorna ainda em "O Pêndulo de Foucault", o romance de Eco sobre o pensamento hermético, onde funciona como fórmula ritual para a afiliação a seitas secretas. |
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Observações do autor deste trabalho:
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Capa do livro "O Pêndulo de Foucault"
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| Na próxima página, conheça um outro acróstico de Umberto Eco sobre o Quadrado Sator, publicado por Stefano Bartezzaghi apenas 6 dias depois deste. |
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| Referência |
| Coluna Lessico e Nuvole de 8/6/2000, do jornal La Repubblica, reproduzida com a permissão de Stefano Bartezzaghi |
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Páginas iniciais: Roteiro Romanceado | História | Índice
| Ancestrais | O Quadrado Mágico Sator
Autor: Sérgio Barcellos Ximenes
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