| História das Palavras Cruzadas |
| Imagens do primeiro jogo de palavras cruzadas, publicado em 21 de dezembro de 1913. |
|
Foi assim que tudo começou ...
Um jogo sem maiores pretensões ¾¾¾¾¾¾ |
||||
|
É sábado, dia 20 de dezembro de 1913. Arthur Wynne, o editor do caderno dominical Fun ("Diversão") do jornal nova-iorquino
The World (O Mundo), tem uma tarefa à frente: elaborar um jogo de palavras diferente dos já conhecidos. Algumas fontes históricos afirmam que essa
tarefa lhe foi imposta pelo chefe; outras, que ele próprio estava desejoso de trazer alguma variedade ao
suplemento, ainda mais por se tratar de um jogo para o número natalino. Esta última hipótese é a mais provável. Seja como for, a tarefa precisa ser completada logo para que o jornal possa ser impresso um pouco mais tarde e vendido no dia seguinte.
Arthur é um bom criador de jogos de palavras. Há meses vem publicando suas criações, entremeadas com as colaborações de leitores, no suplemento dominical: rébus, quadrados de palavras, jogos com palavras escondidas e anagramas, assim como liga-pontos, quebra-cabeças matemáticos e anedotas, entre outros. Seu jogo predileto é o quadrado de palavras, no qual todas as palavras horizontais cruzam com as verticais. Pensando na tarefa, ele se lembra de um passatempo semelhante que viu num jornal de sua terra natal (Inglaterra), o London Graphic (1869-1932). |
||||
O jornal "London Graphic"
|
||||
|
Arthur aproveita o princípio do cruzamento de palavras, mas escolhe a forma mais difícil dessa prática: aquela na qual as palavras verticais diferem das horizontais. E, em vez da figura de um quadrado, prefere a de um losango, que na terminologia do Enigmismo norte-americano se chama diamond (diamante).
Curiosamente, o jogo do diamante foi criado por volta de 1870. A mais antiga imagem conhecida desse jogo é mostrada neste site, nesta página. Repare no mês e no ano: junho de 1871 exatamente os do nascimento de Arthur Wynne. A forma dupla do passatempo foi criada em junho de 1873. Escolhida a forma, Arthur dá um toque de criatividade aos tradicionais jogos de diamantes: desenha uma grade na qual as palavras serão colocadas, cada casa da grade correspondendo a uma letra. Outra inovação: resolve deixar um espaço em branco no centro do jogo, ao contrário do que sempre se faz: cruzar todas as palavras em toda a extensão da forma. Assim, 5 linhas e 5 colunas ficarão com duas palavras cada uma, e o jogo terá um total de 16 respostas horizontais e 16 verticais. Outra novidade: Arthur preenche por completo, com um número, as casas relativas às letras inicial e final das respostas, com a exceção daqueles em que serão escritas as letras F e N. As outras casas ficam em branco. Escreve então a palavra FUN (o título do suplemento) na primeira linha horizontal, situada logo abaixo da letra da extremidade superior (o número 1), e escolhe as outras palavras que o leitor deverá descobrir. Por fim, redige definições para todas elas, indicando com dois números a casa inicial e a casa final das letras da resposta. |
||||
O primeiro jogo
|
||||
|
Para orientar o leitor, Arthur escreve: "Fill in the small squares with the words which agree with the following definitions." (Preencha os quadradinhos com palavras que concordam com as seguintes definições.) Ao redigir as definições, ele o faz na ordem numérica, sem distinguir as verticais das horizontais.
O título diferencia o passatempo daqueles que o editor vinha publicando: Word-Cross Puzzle (Jogo da Cruz de Palavras, ou Jogo de Cruzamento de Palavras). Tarefa completada, Wynne envia o jogo à sala de composição do jornal. Ao tomar conhecimento da novidade, os impressores apelidam a novidade de silly squares (quadrados idiotas). Em parte, a reação é justificável, devido ao trabalho dobrado que terão para compor o diagrama em forma de diamante, em suas precárias máquinas. Felizmente para a História, a resistência fica somente na bronca, e o passatempo começa a ser impresso. No dia seguinte, os leitores do World abrem o suplemento Fun e encontram algo inesperado. Mas a reação deles, ao experimentarem o passatempo, será bem diferente daquela exibida pelos tipógrafos. É 21 de dezembro de 1913, o dia que, na vida de Arthur Wynne, deveria ficar marcado como aquele em que um novo passatempo tinha sido publicado para nunca mais aparecer no jornal, mero exercício burocrático de uma tarefa jornalística a mais, numa longa carreira. Uma simples novidade natalina. Quando, nos dias seguintes, as cartas de apoio e de elogio começam a chegar ao jornal, pedindo bis, Arthur percebe que a novidade caiu no agrado de seus leitores. Decide então criar o segundo jogo daquele novo passatempo. Graças a essa reação positiva dos leitores do World, começam a nascer as palavras cruzadas. |
||||
A página completa
|
||||
Solução do primeiro jogo
|
||||
|
||||
|
||||
| Comentários | ||||
|
||||
O primeiro jogo
|
||||
| Na próxima página, acompanhe uma análise sobre os elementos que Arthur Wynne aproveitou e sobre os elementos que ele introduziu no seu "Word-Cross", para elaborar o novo passatempo. | ||||
| Referências | ||||
|
Foto reproduzida com a permissão do antigo site Wordcross.Net
Textos do press kit do antigo site Wordcross.net |
||||
| ¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾¾ | ||||
|
Páginas iniciais: Roteiro Romanceado | História | Índice
| Década de 10 | A Primeira Cruzada Moderna
Autor: Sérgio Barcellos Ximenes
|