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CRUZADISMO - 1 |
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A "crossword craze" O PRIMEIRO LIVRO Crossword craze (a febre ou o modismo das palavras cruzadas) é a denominação do primeiro e mais marcante período de popularidade desse passatempo, nos anos de 1924 e 1925. A popularidade do jogo deveu-se ao lançamento do livro The Cross Word Puzzle Book ("O Livro dos Jogos de Palavras Cruzadas") e à exploração da novidade pelos jornais, pelo comércio e pela publicidade, inicialmente nos Estados Unidos e depois em vários países, entre eles o Brasil.
O primeiro livro de palavras cruzadas, The Cross Word Puzzle Book - First Series, foi lançado em 10 de abril de 1924 pela editora Simon and Schuster, inicialmente sob o selo Plaza Publishing Company; depois do inesperado sucesso, o nome real da empresa apareceu no livro. Primeira obra da hoje mundialmente famosa editora norte-americana, o Cross Word Puzzle Book oferecia 50 jogos de palavras cruzadas editados por Prosper Buranelli, F. Gregory Hartswick e Margaret Petherbridge. A primeira edição de 3.900 exemplares esgotou-se rapidamente. As sucessivas reedições do primeiro volume e os dois livros seguintes da série, lançados até o final de 1924, deram origem ao modismo das palavras cruzadas, a crossword craze. Mais de 300.000 exemplares dos três primeiros volumes da série foram vendidos naquele ano. Em 1925 saiu o quarto volume. A série perdura até hoje, ainda editada pela Simon and Schuster. É a mais longa série da história editorial (1924-2009), um total de 257 livros com o título Crossword Puzzle Book e mais 5 com o título Mega Crossword Puzzle Book, adotado a partir de 2008. A capa do livro
A apresentação do livro
O aviso do futuro segundo volume da série
O oferecimento da folha de respostas
Correspondência usada para o pedido da folha de respostas (integrante do Terceiro Volume da série)
A folha de respostas
Anúncio do dicionário "Webster" no livro
A sugestão para dar uma "festa temática de palavras cruzadas"
A folha de rosto
A vendagem dos três primeiros volumes
O anúncio do lápis que vinha com o volume
Os editores
O primeiro jogo
O segundo jogo
O terceiro jogo
O décimo quinto jogo
O vigésimo terceiro jogo
O trigésimo nono jogo
O quadragésimo nono jogo
Fontes
A arte e as palavras cruzadas Um tema recorrente desta parte será a apropriação criativa do passatempo, realizada a partir da crossword craze pelos mais diferentes profissionais, os artistas entre eles. Abaixo, a imagem de uma aquarela do ilustrador Huger Elliott (1877-1948) mostrando o deus egípcio Rá — onipresente nas respostas dos jogos desde a crossword craze — sobre um fundo temático do passatempo.
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Curiosidades sobre as palavras cruzadas As palavras cruzadas são, tecnicamente, um passatempo de grau variável de dificuldade. E os jogos mais difíceis sempre tiveram seus apreciadores. A revista Pageant ("Desfile", 1944-1977) publicou em fevereiro de 1957 (Volume 12, número 3) um jogo intitulado THE WORLD'S (*@*&/% 'P*!!? CROSSWORD PUZZLE... (O jogo de palavras cruzadas mais *** do mundo), com o subtítulo It proves how good you are at cussing ("Para testar a sua capacidade de praguejar").
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A música e as palavras cruzadas Desde o primeiro ano de popularidade das palavras cruzadas (1924), os compositores aproveitaram o passatempo como tema de suas músicas ou como recurso metafórico para ilustrar uma situação mencionada na letra. O passatempo também serviu de atração extra nos álbuns de bandas e cantores. E o costume continua: a década na qual os compositores mais usaram a denominação "palavras cruzadas" no título ou nas letras de músicas foi a década iniciada em 2001 (mais de 70 utilizações), e não a da crossword craze (a década de 20), aquela para sempre associada ao modismo internacional do passatempo. Nas próximas páginas serão mostradas mais de 200 apropriações criativas do passatempo pela turma da Música.
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A literatura e as palavras cruzadas Nas próximas páginas serão mostradas dezenas de apropriações criativas do passatempo pela turma da Literatura, em especial por parte dos escritores da área da ficção. Poucos sabem que o poeta português Fernando Pessoa (1888-1935) era apreciador de palavras cruzadas. Em seu trabalho como publicitário, iniciado em 1925, ano em que o passatempo se espalhou pelo mundo, Pessoa teve a idéia de usar os jogos como um atrativo tanto para os consumidores quanto para os anunciantes. António Mega Ferreira conta, em Fernando Pessoa, o Comércio e a Publicidade (Cinevoz/Lusomedia, Lisboa, 1986): "Muito simples: era questão de organizar problemas de palavras cruzadas em que os anunciantes pagariam para que, na solução, figurassem os nomes das suas marcas. Por isso, no fim do documento, Pessoa hesita em chamar ao seu invento 'Crossadword' ou 'Adverwords'."
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Nuno Cardal e Rita Fragoso de Almeida, autores do livro comemorativo dos 65 anos da agência de publicidade McCann-Erickson (1994), reforçam essa curiosidade sobre o grande poeta português: "[...] relativamente ao trabalho desenvolvido pelo escritor no meio publicitário, [há] uma invenção a que o próprio Pessoa chamou 'Advertising Crosswords'... Consistia este jogo em organizar palavras cruzadas cujas soluções corresponderiam a marcas comerciais. O aspecto mais interessante da invenção residia na circunstância de os clientes terem de pagar para que as suas marcas figurassem nas soluções."
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Outro fato pouco divulgado sobre Pessoa é que suas criações de seres fictícios não se limitavam aos heterônimos (personalidades poéticas completas) Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Foram 72 personagens, entre eles A. A. Crosse, especialista em charadas e palavras cruzadas que participava de concursos nos jornais ingleses.
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Livros sobre as palavras cruzadas Além de livros com jogos de palavras cruzadas, várias obras sobre o passatempo foram lançadas neste período de mais de 95 anos de sua existência. Alguns trabalhos tinham como tema a história do jogo, outros ensinavam a criá-lo. De 1957 é o Manual de Palavras Cruzadas, escrito por Arnaldo Graner (Dr. Renarg) e ilustrado por Marcos Vasques. O livro saiu pela Editora Civilização Brasileira.
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Os filmes e as palavras cruzadas Já em 1924 os cineastas entraram para o extenso grupo dos apropriadores culturais do passatempo, criando filmes nos quais as palavras cruzadas tinham lugar de destaque. O último deles foi lançado em 2009, como veremos depois. Dario Argento, mestre italiano do filme de horror, dirigiu em 1971 o filme Cat O'Nine Tails, estrelado por Karl Malden, James Franciscus e Catherine Spaak. A sinopse: "Franco Arno (Karl Malden) is a blind man that lives with his young niece and makes a living writing crossword puzzles. One night, while walking on the street, he overhears a weird conversation between two man sitting in a car parked in front of a medical institute where genetic experiments are performed. The same night someone breaks in the institute and kills a guard. Arno decides to investigate with the help of reporter Carlo Giordani (James Franciscus)." Tradução: "Franco Arno (Karl Malden) é um cego que vive com sua jovem sobrinha e ganha a vida criando palavras cruzadas [isso mesmo: um criador cego de palavras cruzadas]. Uma noite, andando pela rua, ele entreouve uma estranha conversa entre dois homens sentados num carro estacionado à frente de um instituto de Medicina onde são desenvolvidos experimentos genéticos. Na mesma noite, alguém invade o instituto e mata um segurança. Arno decide investigar o crime com a ajuda do repórter Carlo Giordani (James Franciscus)." Cat o'nine tails significa "gato de nove caudas" e denomina um chicote de nove tiras, famoso por ter sido usado como instrumento de punição de marujos ingleses. Na França, o título foi traduzido como Le Chat à Neuf Queues; na Itália, como Il Gatto a Nove Code; e na Alemanha, como Die Neunschwänzige Katze. No Brasil, o filme também é conhecido por sua tradução literal: O Gato de 9 Caudas.
Fontes
As citações e as palavras cruzadas Citações e frases humorísticas marcaram as palavras cruzadas desde o início da sua popularidade. O humor lingüístico, aliás, foi uma das reações mais freqüentes à crossword craze, como será mostrado nas páginas seguintes. A citação "Palavras cruzadas são a mais suave forma de loucura" é atribuída com freqüência a Mário Quintana. Veja nesta imagem escaneada do Almanhaque ou Almanaque d'A Manha, do Barão de Itararé (Apparício Torelly), terceira edição (segundo semestre de 1955), como é dele a autoria da citação famosa, que vinha no rodapé da página de um jogo muito original.
Segundo o Dicionário Universal de Citações, de Paulo Rónai, a citação que deve ser atribuída ao poeta gaúcho é "Mas seja lá como for / Decifrar palavras cruzadas é uma forma tranqüila de desespero", presente no livro Na Volta da Esquina, de 1979 (Editora Globo).
Fontes
Jogos baseados nas palavras cruzadas Uma das apropriações culturais criativas do passatempo das palavras cruzadas, desde o início de sua popularidade em 1924, deu-se na área da criação de jogos. Nas próximas páginas serão mostradas dezenas de imagens de jogos lançados a partir de então, em várias modalidades. A imagem abaixo é do jogo de tabuleiro intitulado Boggle Bowl.
Fonte
Produtos temáticos Além dos artistas, os artesãos, os fabricantes de objetos decorativos, os profissionais da moda e muitos outros trabalhadores também se apropriaram criativamente das palavras cruzadas, passando a oferecer produtos destinados a apreciadores do passatempo. As páginas seguintes apresentarão dezenas de exemplos desses produtos originais e curiosos. BOLOS
Paulo Freixinho, criador português de palavras cruzadas, ganhou da família este bolo ao fazer anos em 2008:
Fontes
Revistas de palavras cruzadas Durante a crossword craze, os livros e os jornais foram os principais meios de difusão e prática do passatempo. As revistas vieram depois, constituindo-se atualmente no meio dominante em quase todo o mundo. Nas próximas páginas serão mostradas imagens de centenas de revistas de vários países. POLÔNIA
Fonte
Sérgio Barcellos Ximenes |
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