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CRUZADISMO - 11 |
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A "crossword craze" (1924-1925) Os jogos produzidos para crianças e adolescentes, em especial, permitem identificar com clareza as características de flexibilidade interna e externa que foram as responsáveis pela difusão e pela longevidade das palavras cruzadas. Ao contrário de passatempos como o sudoku, as cruzadas não têm uma estrutura fixa, imutável, estando abertas a modificações de forma e conteúdo, ao sabor da época, da cultura ou do criador individual. No caso dos jogos infantis e juvenis, percebe-se a adaptação do conteúdo (o vocabulário e a disposição interna das casas "mortas"), visando evitar conhecimentos e respostas difíceis, assim como é perceptível a adaptação da forma (o formato externo da grade), visando criar figuras interessantes ao público-alvo. No artigo abaixo, publicado no jornal Brooklyn Daily Eagle em 2 de agosto de 1924, a articulista afirmava: "O jogo de palavras cruzadas parece-me ser uma das melhores diversões para a criança que qualquer pai ou mãe possa encontrar", ressaltando as virtudes de aprimoramento do vocabulário e de auxílio na fixação do significado das palavras. A autora vai além, sugerindo que os pais incentivem as crianças a criarem jogos, elas mesmas. Alguém consegue imaginar um pai sugerindo a um filho que crie um jogo de sudoku, por exemplo? (Jogos de sudoku são criados por computador, devido à sua alta complexidade estrutural.).
Repare na criatividade exercitada pelos criadores dos jogos abaixo, todos publicados no Brooklyn Daily Eagle em 1925. É parte intrínseca do passatempo esse estímulo à inovação, que foi prontamente percebido e aceito pelos contemporâneos da crossword craze. Não era somente um jogo para jogar, mas também um jogo para criar, para exercitar a criatividade pessoal.
Na página abaixo, repare na forma da suástica, símbolo milenar que ainda não tinha sido tomado como a marca do movimento nazista. A brincadeira das formas internas e externas tinha como única regra tentar algo diferente, original.
O poema abaixo (assim como o desenho) foi criado por um leitor do jornal, de apenas 10 anos de idade.
Este jogo saiu no Waterloo Evening Courier (Iowa) em 31 de dezembro de 1924.
Fontes
Postais, anúncios e cartuns Abaixo, outro cartão-postal da época da crossword craze (1924-1925).
Fonte
A música e as palavras cruzadas
Fontes
As crônicas e as palavras cruzadas A Ror de Ur (19/8/1998) Autor: Mário Prata. "A imagem do meu pai, para mim, foi, é e continuará sendo a de um homem sentado, compenetrado, fazendo palavra-cruzada. Gosto de olhar para ele quando ele está fazendo palavra-cruzada. Tinha uns 8 anos quando pedi que me ensinasse a fazer. Aquilo devia ser bom. Todo dia. Sagrado. "— Você não vai entender. Tem de saber palavras difíceis. "Acabei crescendo, aprendendo e conhecendo quase todas as palavras difíceis. Confesso, sou viciado. Também em paciência. Adoro joguinhos, já tendo, até, inventado alguns (teve um que eu quase patenteei). E o que mais me atrai (e intriga, ao mesmo tempo) nas palavras-cruzadas são certas palavras. Palavras que você só encontra lá. Rios e cidades. Definições definitivas. Palavras e coisas que ficaram paradas dentro dos quadradinhos da brincadeira. "Você conhece alguém que já foi a Ur, cidade da Caldeia? Que passou a lua-de-mel lá? E você nem imagina que a Caldeia é uma região da Suméria, na baixa Mesopotâmia. Os caldeus estiveram lá no século sexto. Antes de Cristo. Tenho a impressão de que, se a Stella Barros organizar umas excursão para Ur, vai lotar de cruzadistas. "E ror, pode? Ror é multidão. Já pensou os locutores esportivos? Aqui no Maracanã está uma ror incrível. Se a ror se revoltar pode se transformar, rapidamente, numa turba. E, no meio de uma turba dessas, é bem provável que você encontre pessoas com aca, mau cheiro. Já pensou: hoje no metrô tava a maior aca! "Omã é uma cidade do sultanato do Golfo Pérsico. Parece nome de remédio para azia: sultanato pérsico. Fica na Ásia e sua capital é Mascate, que deve vender muito petróleo. "Está gostando do teor, conteúdo do texto? "Tem dois rios que me intrigam e só mesmo nos mapas das cruzadas. Um é o Apa, rio na divisa do Brasil com o Paraguai. Nunca soube de alguém que tivessem atravessado esse rio, com contrabando ou sem contrabando. Outro riozinho doído é o Aar, rio da Suíça. Também, nunca cruzei com ele na Suíça. Também nunca estive na Suíça, acabo de lembrar. Vai ver é manjado paca. "Por que será que dão tanta bola para o aru, sapo amazônico, e o apar, tatu-bola? Eu nem sei o que é tatu-bola, quanto mais apar. Você já viu algum apar na sua vida? Assim, passeando pela Avenida Paulista? "Escumilha é ló. E escumilha pode ser um tecido ou pode ser aquele chumbinho pra espingarda de pressão. Isso, é claro, nas cruzadas. Nunca pus ló na minha espingardinha. "Pra mim, mulher de elefante é elefanta. Não é, não. É alia. Com acento no i. Mas parece que é só no Sri Lanka. E por que é que você tem de saber isso? Será porque a KGB (ainda?) é rival da Cia? Ou porque toda Madame é Min? Me parece tal, análogo. Será? Afinal, toda tribo é nômade e Raymond Aron é um sociológo francês. Aliás, muito mais filófoso que sociólogo. "Duvido que você, quando criancinha, tenho tido uma aia. Muito menos aio. Não conheço ninguém que tenha começado uma frase assim: aí, então, o meu aio disse. "Notou que eles adoram afirmar que máquina de tecelagem é tear? Tanta máquina nova por aí e os caras continuam adorando um tear. "Qual é exatamente a peça que é o elo, argola de cadeia? Onde fica? Será ele o tanto procurado elo perdido? O quase único osso do nosso corpo é o úmero. Às vezes pinta um fêmur, diria um vate, profeta. "Qual é exatamente a peça que é o outro elo, parte de uma corrente? É a que ata, amarra? "Se você decifrou o texto até aqui, é porque você leu. Decifrar é só isso, aqui: ler. Cuidado com o miura, touro feroz. Isso, se você caiu na minha isca, engodo para pesca. Será por que toda a índole do samaritano é boa? "E por que que toda-poderosa é rica? "E o prazer de todo intelectual não é só ler, não. É fazer palavra-cruzada. E crônica."
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Curiosidades sobre as palavras cruzadas Abaixo, um cruzada-quebra-cabeça que, ao ser montada, revela a imagem do rosto do Príncipe Charles, herdeiro direto do trono britânico.
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Livros sobre as palavras cruzadas O primeiro livro realmente importante sobre a história das palavras cruzadas intitula-se The Strange World of the Crossword ("O Estranho Mundo das Palavras Cruzadas", 1974), do inglês Roger Millington. Publicado pela Michael & Joseph Hobbs em Londres, saiu no ano seguinte nos Estados Unidos com o título Crossword puzzles, their history and their cult ("Palavras Cruzadas, sua história e seu culto").
Fontes
Os filmes e as palavras cruzadas Baseado no romance homônimo de William Goldman, o filme Soldier in the Rain ("O Soldado na Chuva", 1963) centra-se na relação entre dois militares, o jovem Maxwell Slaughter, interpretado por Steve McQueen, e o experiente Eustis Clay, interpretado por Jackie Gleason. O principal ponto em comum entre os militares é seu amor pelas palavras cruzadas.
Tuesday Weld interpreta Miss Peperdine. Um dos diálogos do livro, entre Maxwell e Peperdine: "I erred, Miss Peperdine." "Oh, that means to make a mistake in three letters."
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Jogos baseados nas palavras cruzadas O Jogo de Palavras Cruzadas mostrado abaixo foi lançado no Brasil.
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Produtos temáticos GUARDANAPOS
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Revistas de palavras cruzadas PORTUGAL
Sérgio Barcellos Ximenes |
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