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CRUZADISMO - 13 |
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A "crossword craze" (1924-1925) O primeiro jogo brasileiro de palavras cruzadas foi publicado em 22 de abril de 1925 na primeira página do jornal carioca A Noite (1911-1957), fundado por Irineu Marinho. E entrou para a história como a maior gafe da história do passatempo. O jornalista responsável pela matéria, depois de relatar o sucesso da novidade nos Estados Unidos, explicar o modo de solução e mostrar um jogo completo, inseriu uma grade vazia na página e estimulou os leitores a preenchê-la com as respostas — mas se esqueceu de incluir as definições. Resultado: no mesmo dia, vários leitores foram à redação do A Noite levando jogos completos que continham as definições e a solução, tornando-se, involuntariamente, os primeiros criadores do passatempo no país. No dia seguinte, a manchete "E Quebrou Mesmo" precedia as desculpas do jornal pelo erro cometido. Uma outra curiosidade: a abertura da matéria do primeiro dia instituiu a denominação brasileira do passatempo: "Está em moda nos Estados Unidos e em diversos paizes da Europa um curiosíssimo jogo que os inglezes denominaram de 'crosswords puzzles': os francezes 'mots croisés' e que nós poderiamos chamar simplesmente palavras cruzadas." 22 de abril de 1925
O jogo dado como exemplo.
A grade vazia e desacompanhada das definições.
Curiosidades . Em 1915, o jornal A Noite publicou em folhetim o romance Numa e a Ninfa, de Lima Barreto. . O personagem Malba Tahan, pseudônimo de Júlio César de Mello e Souza, tornou-se famoso ao aparecer nas páginas de A Noite, em 1925, narrando seus contos de inspiração oriental. . O poeta Manuel Bandeira também escreveu para o jornal A Noite em 1925, na série "Mês Modernista", com vários outros autores militantes do movimento. . O jornal A Noite lançou em 1933 o primeiro concurso de Rei Momo. O vencedor chamava-se Francisco Moraes Cardoso e era cronista de turfe. . O edifício do jornal A Noite, situado na Praça Mauá, tornou-se o maior prédio do Rio ao ser finalizado em 1930, com seus 22 andares. . O jornal O Globo foi lançado em 29 de julho de 1925 pelo mesmo dono do A Noite, Irineu Marinho. Irineu morreria 21 dias depois, deixando a publicação para o filho, Roberto Marinho.
Fontes
Postais, anúncios e cartuns Abaixo, a imagem de um cartão amoroso, provavelmente da época da crossword craze (1924-1925), com os dizeres "Pare de me deixar intrigada", frase baseada no duplo sentido da palavra "puzzle".
Fonte
A música e as palavras cruzadas
Fontes
As crônicas e as palavras cruzadas O homem que me ensinou a escrever (27/2/2000) Autor: Ignácio de Loyola Brandão. "Faz alguns anos, quase 20, entrei na cantina, era cedo, queria chegar antes que os domingueiros lotassem as mesas e crianças começassem a correr, gritando. Era uma cantina gerida por uma família, o marido comandava a sala, a mãe e os filhos, na cozinha, faziam massas delicadas e molhos saborosos, principalmente um arrabiata que me levava a passar a tarde tomando cerveja. Mas fazer o que na tarde de domingo? Beber cerveja ou ficar me embrutecendo diante do programa do Gugu? A sala principal estava cheia, atravessei rumo à dos fundos, tinha vislumbrado a mesa de canto, onde costumava ficar sossegado, com meu livro. Se tem gente que adora comer falando em celular, a minha mania é sentar-me lendo um livro. O que me vale advertências de pessoas que parecem preocupadas com minha saúde: comer e ler faz mal, pode dar congestão. "Na minha versão, o que provoca congestão é almoçar e falar de negócios. Já notaram que em almoços de trabalho ninguém mostra naturalidade, há sempre representações, falas afetadas, informações falsificadas, gestos teatrais? E os que são íntimos dos maîtres? Às vezes, penso: para que se mostrar íntimo do maître do Terraço Itália ou do Ruela, onde a comida é ruim e o preço, caro? Domingo, fui comer no Ruela, pedi escalopinhos no molho ementhal com penne na manteiga de sálvia. Os escalopinhos estavam esturricados e não havia sálvia. Perguntei, disseram: acabou. E não avisaram o cliente? Restaurante meia-boca. Desvio do assunto, sou assim, devo reclamar. Mas eu atravessava a sala, quando ouvi meu nome, gritado por uma voz de baixo profundo, de maneira peremptória. De forma que não admitia a desculpa: não ouvi. "Virei-me e dei de cara com um velho jornalista, eu o conheci quando cheguei a São Paulo e, inseguro, nervoso, precisava de emprego, procurava colocação. Num jornal, dei com este senhor, belo cronista, que me ofereceu a seção de palavras cruzadas. Fiquei irritado. Tinha vindo conquistar a cidade... não ser redator de palavras cruzadas. "Um dia mostro para ele." Depois, aquele homem desapareceu, não mais ouvi falar, não o li em parte alguma. Agora, ali estava a me chamar. Apesar do tom autoritário, havia carinho em seu rosto, no sorriso que me dirigiu. Apesar da voz, era um homem quebrado pela vida, as roupas denotando uso continuado, punhos e colarinho esgarçados. Devia fazer um esforço para almoçar fora, mas devia ser ponto de honra. Fez sinal, me aproximei, ele me apresentou à mulher, uma senhora vestida de negro, blusa fechada, colar de pérolas. Apontou um jovem de 18 anos, que me observava com o olhar agudo. Admirativo? Quem sabe? Sempre tive bom público entre jovens, pela ousadia de livros como Zero e Cadeiras Proibidas, para não dizer de Não Verás País Nenhum, cujo niilismo encanta desiludidos. "— Diga para o menino! Conte quem te ensinou a escrever? Já disse, ele não acredita. "— Me ensinou a escrever? Como? "— Isso! Quem te ensinou a escrever em jornal? Quem te aconselhou sobre livros, estilo? Quem você sempre consultou? Teu primeiro livro, ajudei a estruturar, a polir personagens... "O filho olhava para o pai, encantado. O pai me olhava, súplice: não me desminta. O momento era importante. Não estavam diante do maior dos escritores, nem de uma glória única. Ali, havia apenas um escritor bafejado pela sorte, pela mídia, um trabalhador esforçado e sincero — que é o que sou. "— No jornal? "— Sim. Vocês sempre vinham à minha mesa. Todos vinham. Eu orientava aquela juventude. Você, o Juca Chaves, quando ainda se chamava Jurandir Chaves, o Benedito Rui Barbosa, que era cronista esportivo... O Arapuã, essa glória da publicidade. Eu reescrevia o Stanislaw Ponte Preta. "O jovem me olhava, tremia no suspense. Aguardava minha confirmação. A glória de ter um pai guru de uma geração. O velho começara a suar. Eu calado, hesitante. Fazer um gesto, destruir tudo? Tive vontade. Há momentos assim, a gente quer ser ruim. Por que caminhos a vida levara aquele homem cujas crônicas admirei? Acovardei-me diante do mal. "— Verdade. O que seria de mim sem as conversas que se estendiam pela noite? Quanto tempo perdeu comigo. Espero que tenha valido a pena. O vinho, hoje, eu é que pago! É o mínimo. "O jovem pareceu querer abraçar o pai, a mulher sorriu para mim, o velho cronista sentou-se, limpou o suor da testa com o guardanapo. Li, há dias, um texto sobre ele. O necrológio de 15 linhas no jornal."
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Os filmes e as palavras cruzadas O escritor Colin Dexter criou o Inspetor Morse, protagonista de uma série de romances policiais que, transformados em seriado de 33 episódios (1987-2001), tornaram-se um dos maiores sucessos da TV britânica. Morse é aficcionado pelas cruzadas crípticas (o estilo inglês, de alta dificuldade) e profundo conhecedor da literatura britânica. Esses elementos integram o enredo de todos os romances de Dexter.
Livros sobre as palavras cruzadas Gridlock: Crossword Puzzles and the Mad Geniuses Who Create Them ("Preso na Grade: As Palavras Cruzadas e os Gênios Loucos que Criam os Jogos") é a contribuição do cruzadista Matt Gaffney à compreensão da técnica do passatempo e de sua popularidade. O livro saiu em 2006 pela Thunder's Mouth Press.
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Jogos baseados nas palavras cruzadas Abaixo, o jogo de tabuleiro intitulado Kreuzwort Pyramiden, lançado na Alemanha.
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Produtos temáticos ENFEITE
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Revistas de palavras cruzadas ALEMANHA
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Sérgio Barcellos Ximenes |
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