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CRUZADISMO - 13

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. Imagens históricas, fatos curiosos e informações técnicas e culturais sobre as palavras cruzadas.

O primeiro jogo - 21/12/1913

A primeira cruzada

  

   A "crossword craze" (1924-1925)

O primeiro jogo brasileiro de palavras cruzadas foi publicado em 22 de abril de 1925 na primeira página do jornal carioca A Noite (1911-1957), fundado por Irineu Marinho. E entrou para a história como a maior gafe da história do passatempo.

O jornalista responsável pela matéria, depois de relatar o sucesso da novidade nos Estados Unidos, explicar o modo de solução e mostrar um jogo completo, inseriu uma grade vazia na página e estimulou os leitores a preenchê-la com as respostas — mas se esqueceu de incluir as definições. Resultado: no mesmo dia, vários leitores foram à redação do A Noite levando jogos completos que continham as definições e a solução, tornando-se, involuntariamente, os primeiros criadores do passatempo no país.

No dia seguinte, a manchete "E Quebrou Mesmo" precedia as desculpas do jornal pelo erro cometido.

Uma outra curiosidade: a abertura da matéria do primeiro dia instituiu a denominação brasileira do passatempo: "Está em moda nos Estados Unidos e em diversos paizes da Europa um curiosíssimo jogo que os inglezes denominaram de 'crosswords puzzles': os francezes 'mots croisés' e que nós poderiamos chamar simplesmente palavras cruzadas."

22 de abril de 1925

A 'crossword craze'
A 'crossword craze'
A 'crossword craze'
A 'crossword craze'
A 'crossword craze'
A 'crossword craze'
A 'crossword craze'
A 'crossword craze'

O jogo dado como exemplo.

A 'crossword craze'
A 'crossword craze'

A grade vazia e desacompanhada das definições.

A 'crossword craze'

A 'crossword craze'

Curiosidades

. Em 1915, o jornal A Noite publicou em folhetim o romance Numa e a Ninfa, de Lima Barreto.

. O personagem Malba Tahan, pseudônimo de Júlio César de Mello e Souza, tornou-se famoso ao aparecer nas páginas de A Noite, em 1925, narrando seus contos de inspiração oriental.

. O poeta Manuel Bandeira também escreveu para o jornal A Noite em 1925, na série "Mês Modernista", com vários outros autores militantes do movimento.

. O jornal A Noite lançou em 1933 o primeiro concurso de Rei Momo. O vencedor chamava-se Francisco Moraes Cardoso e era cronista de turfe.

. O edifício do jornal A Noite, situado na Praça Mauá, tornou-se o maior prédio do Rio ao ser finalizado em 1930, com seus 22 andares.

. O jornal O Globo foi lançado em 29 de julho de 1925 pelo mesmo dono do A Noite, Irineu Marinho. Irineu morreria 21 dias depois, deixando a publicação para o filho, Roberto Marinho.

Fontes
  . Imagens: coleção pessoal.
  . Lima Barreto
  . Manuel Bandeira
 

   Postais, anúncios e cartuns

Abaixo, a imagem de um cartão amoroso, provavelmente da época da crossword craze (1924-1925), com os dizeres "Pare de me deixar intrigada", frase baseada no duplo sentido da palavra "puzzle".

Postais, anúncios e cartuns

Fonte
  . eBay
 

   A música e as palavras cruzadas

1994

PIPELINE
Álbum Suits
Fish
Suits
Waiting in my corner, waiting on the bell
   I was coming off the ropes, I was going to give them hell
   Now I'm waiting

   Waiting on the lyric, waiting on the song
   I know the muse is coming, I'm holding on
   I'm waiting
   Waiting on the chances, waiting on the breaks
   Waiting on an opportunity that I could take
   I'm still waiting

   Chorus:
   And all the time I wonder why
   Just what or who the hell I am
   Where I'm at, where I'm from
   Where I'm going, where I belong
   Tell me where I'm coming from
   Because I'm waiting in the pipeline

   Waiting on a message, waiting on a sign
   I was waiting on my holy grail to shine
   Waiting with the crossword, waiting on reviews
   Waiting on something or someone to give me a clue
   I'm still waiting

   Chorus:
   And all the time I wonder why
   Just what or who the hell I am
   Where I'm at, where I'm from
   Where I'm going, where I belong
   Why do you keep me waiting on
   Because I'm waiting in the pipeline

   If the carpet that I'm sitting on could fly
   If the ring that's on my finger was a sorcerer's charm
   If the cloak that I'm wearing could hide me away
   I could wait for forever and a day
   If the lady that I'm waiting on isn't mine
   Then the castles that I'm building are on shifting sands
   If the dream that I'm chasing isn't true
   Then the light at the end of the tunnel is just a wrecker's fire

   Waiting in the pipeline, waiting on the silence
   Waiting on the sound, waiting in the backstage
   Waiting on the crowd, waiting
   Waiting on the critic, waiting on the gong
   Waiting on the DJ to play my song
   Play my song, I'm waiting

   And all the time I wonder why
   Just what or who the hell I am
   Where I'm at, where I'm from
   Where I'm going, where I belong
   Tell me where I'm coming from
   Because I'm waiting in the pipeline

   Waiting in the pipeline, waiting in the pipeline waiting waiting

Fontes
  . A letra: LyricSpinner
  . Imagem da capa: Google Images
 

   As crônicas e as palavras cruzadas

O homem que me ensinou a escrever (27/2/2000)

Autor: Ignácio de Loyola Brandão.

"Faz alguns anos, quase 20, entrei na cantina, era cedo, queria chegar antes que os domingueiros lotassem as mesas e crianças começassem a correr, gritando. Era uma cantina gerida por uma família, o marido comandava a sala, a mãe e os filhos, na cozinha, faziam massas delicadas e molhos saborosos, principalmente um arrabiata que me levava a passar a tarde tomando cerveja. Mas fazer o que na tarde de domingo? Beber cerveja ou ficar me embrutecendo diante do programa do Gugu? A sala principal estava cheia, atravessei rumo à dos fundos, tinha vislumbrado a mesa de canto, onde costumava ficar sossegado, com meu livro. Se tem gente que adora comer falando em celular, a minha mania é sentar-me lendo um livro. O que me vale advertências de pessoas que parecem preocupadas com minha saúde: comer e ler faz mal, pode dar congestão.

"Na minha versão, o que provoca congestão é almoçar e falar de negócios. Já notaram que em almoços de trabalho ninguém mostra naturalidade, há sempre representações, falas afetadas, informações falsificadas, gestos teatrais? E os que são íntimos dos maîtres? Às vezes, penso: para que se mostrar íntimo do maître do Terraço Itália ou do Ruela, onde a comida é ruim e o preço, caro? Domingo, fui comer no Ruela, pedi escalopinhos no molho ementhal com penne na manteiga de sálvia. Os escalopinhos estavam esturricados e não havia sálvia. Perguntei, disseram: acabou. E não avisaram o cliente? Restaurante meia-boca. Desvio do assunto, sou assim, devo reclamar. Mas eu atravessava a sala, quando ouvi meu nome, gritado por uma voz de baixo profundo, de maneira peremptória. De forma que não admitia a desculpa: não ouvi.

"Virei-me e dei de cara com um velho jornalista, eu o conheci quando cheguei a São Paulo e, inseguro, nervoso, precisava de emprego, procurava colocação. Num jornal, dei com este senhor, belo cronista, que me ofereceu a seção de palavras cruzadas. Fiquei irritado. Tinha vindo conquistar a cidade... não ser redator de palavras cruzadas. "Um dia mostro para ele." Depois, aquele homem desapareceu, não mais ouvi falar, não o li em parte alguma. Agora, ali estava a me chamar. Apesar do tom autoritário, havia carinho em seu rosto, no sorriso que me dirigiu. Apesar da voz, era um homem quebrado pela vida, as roupas denotando uso continuado, punhos e colarinho esgarçados. Devia fazer um esforço para almoçar fora, mas devia ser ponto de honra. Fez sinal, me aproximei, ele me apresentou à mulher, uma senhora vestida de negro, blusa fechada, colar de pérolas. Apontou um jovem de 18 anos, que me observava com o olhar agudo. Admirativo? Quem sabe? Sempre tive bom público entre jovens, pela ousadia de livros como Zero e Cadeiras Proibidas, para não dizer de Não Verás País Nenhum, cujo niilismo encanta desiludidos.

"— Diga para o menino! Conte quem te ensinou a escrever? Já disse, ele não acredita.

"— Me ensinou a escrever? Como?

"— Isso! Quem te ensinou a escrever em jornal? Quem te aconselhou sobre livros, estilo? Quem você sempre consultou? Teu primeiro livro, ajudei a estruturar, a polir personagens...

"O filho olhava para o pai, encantado. O pai me olhava, súplice: não me desminta. O momento era importante. Não estavam diante do maior dos escritores, nem de uma glória única. Ali, havia apenas um escritor bafejado pela sorte, pela mídia, um trabalhador esforçado e sincero — que é o que sou.

"— No jornal?

"— Sim. Vocês sempre vinham à minha mesa. Todos vinham. Eu orientava aquela juventude. Você, o Juca Chaves, quando ainda se chamava Jurandir Chaves, o Benedito Rui Barbosa, que era cronista esportivo... O Arapuã, essa glória da publicidade. Eu reescrevia o Stanislaw Ponte Preta.

"O jovem me olhava, tremia no suspense. Aguardava minha confirmação. A glória de ter um pai guru de uma geração. O velho começara a suar. Eu calado, hesitante. Fazer um gesto, destruir tudo? Tive vontade. Há momentos assim, a gente quer ser ruim. Por que caminhos a vida levara aquele homem cujas crônicas admirei? Acovardei-me diante do mal.

"— Verdade. O que seria de mim sem as conversas que se estendiam pela noite? Quanto tempo perdeu comigo. Espero que tenha valido a pena. O vinho, hoje, eu é que pago! É o mínimo.

"O jovem pareceu querer abraçar o pai, a mulher sorriu para mim, o velho cronista sentou-se, limpou o suor da testa com o guardanapo. Li, há dias, um texto sobre ele. O necrológio de 15 linhas no jornal."

Fonte
  . Link original: http://www.estado.com.br/jornal/00/02/27/news141.html
 

  Os filmes e as palavras cruzadas

O escritor Colin Dexter criou o Inspetor Morse, protagonista de uma série de romances policiais que, transformados em seriado de 33 episódios (1987-2001), tornaram-se um dos maiores sucessos da TV britânica. Morse é aficcionado pelas cruzadas crípticas (o estilo inglês, de alta dificuldade) e profundo conhecedor da literatura britânica. Esses elementos integram o enredo de todos os romances de Dexter.

Os filmes e as palavras cruzadas Os filmes e as palavras cruzadas Os filmes e as palavras cruzadas
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Fontes
  . eBay
  . Wikipedia
 

  Livros sobre as palavras cruzadas

Gridlock: Crossword Puzzles and the Mad Geniuses Who Create Them ("Preso na Grade: As Palavras Cruzadas e os Gênios Loucos que Criam os Jogos") é a contribuição do cruzadista Matt Gaffney à compreensão da técnica do passatempo e de sua popularidade. O livro saiu em 2006 pela Thunder's Mouth Press.

Grid Lock

Fonte
  . Amazon.com
 

  Jogos baseados nas palavras cruzadas

Abaixo, o jogo de tabuleiro intitulado Kreuzwort Pyramiden, lançado na Alemanha.

Jogos de palavras cruzadas

Fonte
  . eBay
 

   Produtos temáticos

ENFEITE

enfeite1

Fonte
  . eBay
 

   Revistas de palavras cruzadas

ALEMANHA

Revista alemã Revista alemã Revista alemã

Fonte
  . Google Images

 
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A História das Palavras Cruzadas

 
O roteiro romanceado é o cinema da imaginação.

Sérgio Barcellos Ximenes
2005/2010