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CRUZADISMO - 19

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. Imagens históricas, fatos curiosos e informações técnicas e culturais sobre as palavras cruzadas.

O primeiro jogo - 21/12/1913

A primeira cruzada

  

   A "crossword craze" (1924-1925)

A primeira reação dos britânicos à crossword craze (o modismo das palavras cruzadas) nos Estados Unidos, em 1924, foi de depreciação: os jornais trataram da febre como algo passageiro e típico da cultura daquele país, dado a novidades que empolgavam e logo sumiam para nunca mais voltar. Criticaram também o exagero (com exagero), como na matéria "Uma América Escravizada [pelas palavras cruzadas]". Mal sabiam que faltava pouco para a craze se instalar no próprio país.

Abaixo, as menções ao passatempo no jornal The Times, em 1924 e 1925.

1924

  28 de Novembro

Anúncio dos livros lançados originalmente nos Estados Unidos e de um livro inglês, The Shilling Cross Word Puzzle Book.

Imagem do 'Times'

  9 de dezembro

O famoso artigo "Uma América Escravizada [pelas palavras cruzadas]", sempre citado nas obras sobre o passatempo.

Imagem do 'Times'
Imagem do 'Times'
Imagem do 'Times'
Imagem do 'Times'

  20 de dezembro

Pouco depois, o reconhecimento da chegada da craze à Inglaterra: "Metade de Londres, assim parece, está gastando noites laboriosas resolvendo palavras cruzadas ou criando jogos." Repare como essa menção ("devising new ones") representa o registro histórico de uma resposta positiva ao chamado criativo do passatempo, acessível a todas as pessoas tanto na área da solução quanto da criação.

Imagem do 'Times'
Imagem do 'Times'
Imagem do 'Times'
Imagem do 'Times'

1925

  9 de janeiro

Os comentários sobre o vocabulário típico das palavras cruzadas sempre foram um dos chavões dos articulistas.

Imagem do 'Times'
Imagem do 'Times'
Imagem do 'Times'

  10 de janeiro

Uma carta de leitor reclamando por não ser capaz de resolver palavras cruzadas no trem, devido à má iluminação.

Imagem do 'Times'

  14 de janeiro

A aplicação do sentido figurado da expressão "jogo de palavras cruzadas" ao cenário político.

Imagem do 'Times'

  17 de janeiro

Uma das situações sociais da craze nos Estados Unidos (a consulta ao Zoológico para descobrir nomes de animais) reproduziu-se na Grã-Bretanha.

Imagem do 'Times'
Imagem do 'Times'

  23 de janeiro

O primeiro-ministro inglês abordou a mania num discurso, exercitando seu lado cômico.

Imagem do 'Times'
Imagem do 'Times'

  26 de janeiro

Assim como nos Estados Unidos, o modismo gerou curiosidade sobre os antecedentes históricos das palavras cruzadas. O Quadrado Sator foi apresentado aos leitores do Times.

Imagem do 'Times'

  27 de janeiro

O anúncio abaixo mostra que o jornal Evening News lançara um livro de jogos de palavras cruzadas "premiadas". Assim como nos Estados Unidos, também na Grã-Bretanha o oferecimento de prêmios pelos jornais foi um dos motivos da rápida popularização do passatempo.

Imagem do 'Times'

  28 de janeiro

Mais notícias sobre o Quadrado Sator.

Imagem do 'Times'

  29 de janeiro

Outra semelhança em relação aos EUA: médicos britânicos também alertaram o público sobre o mal que a intensa concentração visual nos jogos poderia causar à visão dos aficionados.

Imagem do 'Times'

  31 de janeiro

A firma The Lancashire & General publicou o resultado de seu concurso de palavras cruzadas em anúncio no Times.

Imagem do 'Times'

  3 de fevereiro

Outro concurso, agora na publicação Children's Pictorial: um jogo de palavras cruzadas sobre Shakespeare valendo 5 libras em prêmio.

Imagem do 'Times'
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  6 de fevereiro

Assim como nos Estados Unidos, cogitava-se sobre o valor educacional do novo passatempo.

Imagem do 'Times'

  7 de fevereiro

Nova menção ao sentido figurado.

Imagem do 'Times'

  9 de fevereiro

Mais um britânico respondendo ao chamado criativo do passatempo: uma carta cujo endereço do destinatário estava escrito numa grade de palavras cruzadas.

Imagem do 'Times'

  10 de fevereiro

E a craze chegava de vez: a biblioteca de Dulwich passou a inutilizar as cruzadas dos jornais disponíveis aos leitores para que eles não "prendessem" a publicação por muito tempo.

Imagem do 'Times'
Imagem do 'Times'

  13 de fevereiro

Assim como nos Estados Unidos, os dicionários exaltavam suas virtudes pela associação ao passatempo: "o mais confiável auxílio na criação e resolução de palavras cruzadas".

Imagem do 'Times'

  14 de fevereiro

Mais um artigo lamentando o tempo perdido na Grã-Bretanha com o passatempo (e mais uma tentativa de explicar o fascínio das pessoas por ele).

Imagem do 'Times'
Imagem do 'Times'
Imagem do 'Times'
Imagem do 'Times'

  20 de fevereiro

E mais um anúncio de dicionário, destinado aos fãs das palavras cruzadas.

Imagem do 'Times'

  20 de fevereiro

Uma comparação do enigma de Hamlet com o de um jogo de palavras cruzadas.

Imagem do 'Times'
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  27 de fevereiro

Os publicitários britânicos também exploraram o atrativo do novo passatempo.

Imagem do 'Times'

  14 de março

Assim como nos EUA, os torneios de palavras cruzadas começaram a ser promovidos: troféus e cheques para os vencedores.

Imagem do 'Times'

  28 de março

Mais um concurso promovido por uma empresa britânica.

Imagem do 'Times'

  15 de abril

Outro.
Imagem do 'Times'

  30 de abril

Outro, agora num bazar e baile beneficentes.

Imagem do 'Times'

  2 de maio

O padrão visual das palavras cruzadas começava a penetrar na percepção dos londrinos.

Imagem do 'Times'

  7 de julho

E as festas de palavras cruzadas continuavam a ser promovidas, em julho de 1925. Em página anterior, pode-se ver a imagem (não-fotográfica) de uma dessas festas promovidas em fevereiro daquele ano.

Imagem do 'Times'
Imagem do 'Times'

  10 de setembro

O primeiro-ministro inglês continuava entretido com as suas cruzadas.

Imagem do 'Times'

  1 de outubro

Um relatório oficial culpava as palavras cruzadas, o rádio, o cinema e outras formas de divertimento social pelo declínio das estatísticas de leitura na Grã-Bretanha.

Imagem do 'Times'

  31 de outubro

Mais um concurso divulgado em anúncio do Times por uma empresa.

Imagem do 'Times'
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  9 de novembro

Mais um livro de jogos publicado na Grã-Bretanha.

Imagem do 'Times'

  19 de dezembro

E mais uma menção ao poder de absorção mental do passatempo.

Imagem do 'Times'

Fonte
  . Arquivo do "The Times"
 

  Postais, anúncios e cartuns

O cartão-postal abaixo foi vendido na Inglaterra na época da crossword craze.

Anúncios, cartuns e cartões-postais

Fonte
  . eBay
 

  A música e as palavras cruzadas

1989

THE MAYOR OF SYMPLETON
Álbum Oranges & Lemons
XTC
Oranges and Lemons
Never been near a university,
   Never took a paper or a learned degree,
   And some of your friends think that's stupid of me,
   But it's nothing that I care about.

   Well I don't know how to tell the weight of the sun,
   And of mathematics well I want none,
   And I may be the Mayor of Simpleton,
   But I know one thing
   And that's I love you.
   When their logic grows cold and all thinking gets done,
   You'll be warm in the arms of the Mayor of Simpleton.

   I can't have been there when brains were handed round
   (please be upstanding for the Mayor of Simpleton),
   Or get past the cover of your books profound,
   (please be upstanding for the Mayor of Simpleton),
   And some of your friends thinks it's really unsound
   That you're ever seen talking to me.

   Well I don't know how to write a big hit song,
   And all crossword puzzles well I just shun,
   And I may be the Mayor of Simpleton,
   But I know one thing
   And that's I love you.

   I'm not proud of the fact that I never learned much,
   Just feel I should say,
   What you get is all real,
   I can't put on an act,
   It takes brains to do that anyway. (And anyway...)

   And I can't unravel riddles problems and puns,
   How the home computer has me on the run,
   And I may be the Mayor of Simpleton,
   But I know one thing,
   And that's I love you (I love you).

   If depth of feeling is a currency
   (please be upstanding for the Mayor of Simpleton),
   Then I'm the man who grew the money tree
   (no Chain of Office and no hope of getting one),
   Some of your friends are too brainy to see
   That they're paupers and that's how they'll stay.

   Well I don't know how many pounds make up a ton
   Of all the Nobel prizes that I've never won,
   And I may be the Mayor of Simpleton,
   But I know one thing
   And that's I love you.

   When all logic grows cold and all thinking gets done,
   You'll be warm in the arms of the Mayor of Simpleton.
   You'll be warm in the arms of the Mayor of Simpleton.
   You'll be warm in the arms of the Mayor.
   (Please be upstanding for the Mayor of Simpleton.)

Fontes
  . A letra: Rhapsody
  . Imagem da capa: Google Images
 

  Os blogs e as palavras cruzadas

SAUDADE, PALAVRA CRUZADA.

(Da série "Os que Fizeram Minha cabeça")

Segunda-feira, Agosto 07, 2006

Autor do post: Nei Lopes.

"Na época da saudosa Escola Técnica Visconde de Mauá, tínhamos lá um colega, o Sebastião Mamede de Sant'Ana, que era cruzadista. Mesmo! Desses de criar problemas de palavras cruzadas (que os boleros cubanos chamam crucigramas) e outros tipos de enigmas, desenhando-os primorosamente a nanquim, em papel vergê, para publicá-los, sob o pseudônimo anagramático 'Samedant', às revistas especializadas.

Tião Mamede, crioulinho baixinho, troncudo e bacana, inoculou em mim, com meus 13 anos, o vírus do cruzadismo. E foi esse vírus, aliado a outro forte sentimento que me acompanha desde a primeira juventude (estou vivendo a segunda), que me fez há uns dois ou três anos atrás reclamar ao editor do caderno de variedades de um jornalão carioca contra a inclusão, na seção de palavras cruzadas, de conceitos como 'prática de feitiçaria dos negros' ou 'cheiro desagradável da pele dos negros' (cf. Cândido de Figueiredo), para definir, por exemplo, 'candomblé' e 'catinga'.

"O responsável pela seção era alguém com sobrenome que me soava como antigo e lusitano. E seus conceitos reproduziam idéias que ainda andam por aí, nos dicionários mais velhos, como o citado no parágrafo acima. Mas o importante é que o editor, mal ou bem, não só anotou as reclamações como me respondeu, embora secamente, e o fato nunca mais se repetiu.

"Cruzadista incorrigível, constato agora que os jornais das grandes cidades brasileiras, quase sem exceção, dispensaram seus colunistas especializados nesse saudável tipo de passatempo e passaram todos a comprar problemas de palavras cruzadas numa mesma fonte editorial. Coisa de 'mercado', custo-benefício, eu sei... Mas ficou chato.

"Regras antigas são agora quebradas; a simetria dos quadros não é mais obrigatória; não há mais casas vazias; palavras são escritas da frente pra trás; privilegiam-se conceitos da cultura de massa e termos do inglês americano. E, aí — exceção feita para a tradicional revista Recreativa — a informação que nos enriquecia o vocabulário vai por água abaixo.

Pois é... Foi-se, então, o tempo em que caixeiro viajante era 'ALABAMA', vendedor de fazendas era 'FANQUEIRO'; 'ROQUEIRO' era quem morava em cima de rocha... E 'GALERA' era apenas uma embarcação.

"Saudade do Sílvio Alves, do Santos Alves, do meu amigo Samedant!..."

Fonte
  . O post de Nei Lopes
 

  Livros sobre as palavras cruzadas

O livro How to Make and Sell Original Crosswords and Other Puzzles ("Como Criar e Vender Palavras Cruzadas e Outros Jogos de Palavras"), de William Sunners, foi publicado pela Sterling Publishing Company em 1981.

How to Make and Sell

Fonte
  . eBay
 

  Os filmes e as palavras cruzadas

O filme Lady in the Water (2006), dirigido por M. Night Shyamalan, conta a história de um zelador de edifício que é ajudado por uma jovem misteriosa, chamada Story, após ficar inconsciente por causa de uma queda no piso escorregadio. As surpresas começam a acontecer: o casal é ameaçado por um animal monstruoso; Story descobre um segredo terrível no passado do zelador; o zelador aprende que Story não é humana.

Mais tarde, Story adoece, e o zelador descobre que para salvá-la precisa da ajuda de vários personagens simbólicos: o Simbolista, o Guardião, o Guia e o Curandeiro. Ao escolher esses ajudantes, o zelador identifica um personagem (Mr. Dury) como o Simbolista, por sua habilidade em resolver palavras cruzadas.

Os filmes e as palavras cruzadas

Fala da personagem Anna Ran: "He's hearing the voice of God through a crossword puzzle!" ("Ele está ouvindo a voz de Deus através de um jogo de palavras cruzadas!").

Fonte
  . Internet Movie Data Base
 

  Jogos baseados nas palavras cruzadas

Abaixo, um jogo brasileiro intitulado "Palavras Cruzadas".

Jogos de palavras cruzadas
Jogos de palavras cruzadas
Jogos de palavras cruzadas
Jogos de palavras cruzadas
Jogos de palavras cruzadas
Jogos de palavras cruzadas

Fonte
  . Mercado Livre
 

   Produtos temáticos

BORRACHAS

borracha1
borracha2 borracha3

Fonte
  . eBay
 

   Revistas de palavras cruzadas

ITÁLIA

Revista italiana Revista italiana Revista italiana
Revista italiana Revista italiana Revista italiana

Fonte
  . Google Images

 
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A História das Palavras Cruzadas

 
O roteiro romanceado é o cinema da imaginação.

Sérgio Barcellos Ximenes
2005/2010