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CRUZADISMO - 19 |
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A "crossword craze" (1924-1925) A primeira reação dos britânicos à crossword craze (o modismo das palavras cruzadas) nos Estados Unidos, em 1924, foi de depreciação: os jornais trataram da febre como algo passageiro e típico da cultura daquele país, dado a novidades que empolgavam e logo sumiam para nunca mais voltar. Criticaram também o exagero (com exagero), como na matéria "Uma América Escravizada [pelas palavras cruzadas]". Mal sabiam que faltava pouco para a craze se instalar no próprio país. Abaixo, as menções ao passatempo no jornal The Times, em 1924 e 1925.
28 de Novembro Anúncio dos livros lançados originalmente nos Estados Unidos e de um livro inglês, The Shilling Cross Word Puzzle Book.
9 de dezembro O famoso artigo "Uma América Escravizada [pelas palavras cruzadas]", sempre citado nas obras sobre o passatempo.
20 de dezembro Pouco depois, o reconhecimento da chegada da craze à Inglaterra: "Metade de Londres, assim parece, está gastando noites laboriosas resolvendo palavras cruzadas ou criando jogos." Repare como essa menção ("devising new ones") representa o registro histórico de uma resposta positiva ao chamado criativo do passatempo, acessível a todas as pessoas tanto na área da solução quanto da criação.
9 de janeiro Os comentários sobre o vocabulário típico das palavras cruzadas sempre foram um dos chavões dos articulistas.
10 de janeiro Uma carta de leitor reclamando por não ser capaz de resolver palavras cruzadas no trem, devido à má iluminação.
14 de janeiro A aplicação do sentido figurado da expressão "jogo de palavras cruzadas" ao cenário político.
17 de janeiro Uma das situações sociais da craze nos Estados Unidos (a consulta ao Zoológico para descobrir nomes de animais) reproduziu-se na Grã-Bretanha.
23 de janeiro O primeiro-ministro inglês abordou a mania num discurso, exercitando seu lado cômico.
26 de janeiro Assim como nos Estados Unidos, o modismo gerou curiosidade sobre os antecedentes históricos das palavras cruzadas. O Quadrado Sator foi apresentado aos leitores do Times.
27 de janeiro O anúncio abaixo mostra que o jornal Evening News lançara um livro de jogos de palavras cruzadas "premiadas". Assim como nos Estados Unidos, também na Grã-Bretanha o oferecimento de prêmios pelos jornais foi um dos motivos da rápida popularização do passatempo.
28 de janeiro Mais notícias sobre o Quadrado Sator.
29 de janeiro Outra semelhança em relação aos EUA: médicos britânicos também alertaram o público sobre o mal que a intensa concentração visual nos jogos poderia causar à visão dos aficionados.
31 de janeiro A firma The Lancashire & General publicou o resultado de seu concurso de palavras cruzadas em anúncio no Times.
3 de fevereiro Outro concurso, agora na publicação Children's Pictorial: um jogo de palavras cruzadas sobre Shakespeare valendo 5 libras em prêmio.
6 de fevereiro Assim como nos Estados Unidos, cogitava-se sobre o valor educacional do novo passatempo.
7 de fevereiro Nova menção ao sentido figurado.
9 de fevereiro Mais um britânico respondendo ao chamado criativo do passatempo: uma carta cujo endereço do destinatário estava escrito numa grade de palavras cruzadas.
10 de fevereiro E a craze chegava de vez: a biblioteca de Dulwich passou a inutilizar as cruzadas dos jornais disponíveis aos leitores para que eles não "prendessem" a publicação por muito tempo.
13 de fevereiro Assim como nos Estados Unidos, os dicionários exaltavam suas virtudes pela associação ao passatempo: "o mais confiável auxílio na criação e resolução de palavras cruzadas".
14 de fevereiro Mais um artigo lamentando o tempo perdido na Grã-Bretanha com o passatempo (e mais uma tentativa de explicar o fascínio das pessoas por ele).
20 de fevereiro E mais um anúncio de dicionário, destinado aos fãs das palavras cruzadas.
20 de fevereiro Uma comparação do enigma de Hamlet com o de um jogo de palavras cruzadas.
27 de fevereiro Os publicitários britânicos também exploraram o atrativo do novo passatempo.
14 de março Assim como nos EUA, os torneios de palavras cruzadas começaram a ser promovidos: troféus e cheques para os vencedores.
28 de março Mais um concurso promovido por uma empresa britânica.
15 de abril Outro.
30 de abril Outro, agora num bazar e baile beneficentes.
2 de maio O padrão visual das palavras cruzadas começava a penetrar na percepção dos londrinos.
7 de julho E as festas de palavras cruzadas continuavam a ser promovidas, em julho de 1925. Em página anterior, pode-se ver a imagem (não-fotográfica) de uma dessas festas promovidas em fevereiro daquele ano.
10 de setembro O primeiro-ministro inglês continuava entretido com as suas cruzadas.
1 de outubro Um relatório oficial culpava as palavras cruzadas, o rádio, o cinema e outras formas de divertimento social pelo declínio das estatísticas de leitura na Grã-Bretanha.
31 de outubro Mais um concurso divulgado em anúncio do Times por uma empresa.
9 de novembro Mais um livro de jogos publicado na Grã-Bretanha.
19 de dezembro E mais uma menção ao poder de absorção mental do passatempo.
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Postais, anúncios e cartuns O cartão-postal abaixo foi vendido na Inglaterra na época da crossword craze.
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A música e as palavras cruzadas
Fontes
Os blogs e as palavras cruzadas SAUDADE, PALAVRA CRUZADA. (Da série "Os que Fizeram Minha cabeça") Segunda-feira, Agosto 07, 2006 Autor do post: Nei Lopes. "Na época da saudosa Escola Técnica Visconde de Mauá, tínhamos lá um colega, o Sebastião Mamede de Sant'Ana, que era cruzadista. Mesmo! Desses de criar problemas de palavras cruzadas (que os boleros cubanos chamam crucigramas) e outros tipos de enigmas, desenhando-os primorosamente a nanquim, em papel vergê, para publicá-los, sob o pseudônimo anagramático 'Samedant', às revistas especializadas. Tião Mamede, crioulinho baixinho, troncudo e bacana, inoculou em mim, com meus 13 anos, o vírus do cruzadismo. E foi esse vírus, aliado a outro forte sentimento que me acompanha desde a primeira juventude (estou vivendo a segunda), que me fez há uns dois ou três anos atrás reclamar ao editor do caderno de variedades de um jornalão carioca contra a inclusão, na seção de palavras cruzadas, de conceitos como 'prática de feitiçaria dos negros' ou 'cheiro desagradável da pele dos negros' (cf. Cândido de Figueiredo), para definir, por exemplo, 'candomblé' e 'catinga'. "O responsável pela seção era alguém com sobrenome que me soava como antigo e lusitano. E seus conceitos reproduziam idéias que ainda andam por aí, nos dicionários mais velhos, como o citado no parágrafo acima. Mas o importante é que o editor, mal ou bem, não só anotou as reclamações como me respondeu, embora secamente, e o fato nunca mais se repetiu. "Cruzadista incorrigível, constato agora que os jornais das grandes cidades brasileiras, quase sem exceção, dispensaram seus colunistas especializados nesse saudável tipo de passatempo e passaram todos a comprar problemas de palavras cruzadas numa mesma fonte editorial. Coisa de 'mercado', custo-benefício, eu sei... Mas ficou chato. "Regras antigas são agora quebradas; a simetria dos quadros não é mais obrigatória; não há mais casas vazias; palavras são escritas da frente pra trás; privilegiam-se conceitos da cultura de massa e termos do inglês americano. E, aí — exceção feita para a tradicional revista Recreativa — a informação que nos enriquecia o vocabulário vai por água abaixo. Pois é... Foi-se, então, o tempo em que caixeiro viajante era 'ALABAMA', vendedor de fazendas era 'FANQUEIRO'; 'ROQUEIRO' era quem morava em cima de rocha... E 'GALERA' era apenas uma embarcação. "Saudade do Sílvio Alves, do Santos Alves, do meu amigo Samedant!..."
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Livros sobre as palavras cruzadas O livro How to Make and Sell Original Crosswords and Other Puzzles ("Como Criar e Vender Palavras Cruzadas e Outros Jogos de Palavras"), de William Sunners, foi publicado pela Sterling Publishing Company em 1981.
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Os filmes e as palavras cruzadas O filme Lady in the Water (2006), dirigido por M. Night Shyamalan, conta a história de um zelador de edifício que é ajudado por uma jovem misteriosa, chamada Story, após ficar inconsciente por causa de uma queda no piso escorregadio. As surpresas começam a acontecer: o casal é ameaçado por um animal monstruoso; Story descobre um segredo terrível no passado do zelador; o zelador aprende que Story não é humana. Mais tarde, Story adoece, e o zelador descobre que para salvá-la precisa da ajuda de vários personagens simbólicos: o Simbolista, o Guardião, o Guia e o Curandeiro. Ao escolher esses ajudantes, o zelador identifica um personagem (Mr. Dury) como o Simbolista, por sua habilidade em resolver palavras cruzadas.
Fala da personagem Anna Ran: "He's hearing the voice of God through a crossword puzzle!" ("Ele está ouvindo a voz de Deus através de um jogo de palavras cruzadas!").
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Jogos baseados nas palavras cruzadas Abaixo, um jogo brasileiro intitulado "Palavras Cruzadas".
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Produtos temáticos BORRACHAS
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Revistas de palavras cruzadas ITÁLIA
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Sérgio Barcellos Ximenes |
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