![]() |
Roteiro |
|
![]() |
CRUZADISMO - 2 |
www.roteiroromanceado.com |
|
A "crossword craze" (1924-1925) A HISTÓRIA DO PRIMEIRO LIVRO E DE SEUS AUTORES Em janeiro de 1924, os jovens norte-americanos Richard (Dick) Leo Simon e Max Lincoln Schuster, recém-graduados pela Columbia School of Journalism, fundaram uma editora chamada Simon and Schuster. No primeiro dia em sua sala de trabalho, a dupla de amigos se deparou com um sério problema: não tinha nenhuma noção de qual livro daria início concreto ao empreendimento. Diz a história oficial que, naquele mês, durante uma refeição com uma tia chamada Wixie, Dick Simon teria ouvido a pergunta destinada a mudar seu futuro. A tia, desejosa de ofertar um livro de palavras cruzadas à filha, apreciadora do passatempo, pediu a Simon uma sugestão de título. E o futuro editor não soube responder. Na época, o jogo era publicado apenas em alguns jornais dos Estados Unidos, geralmente na edição de domingo. Simon logo descobriu que o tal livro não existia. E resolveu, com seu sócio, aproveitar a única oportunidade editorial então disponível. Os dois procuraram o colunista Franklin Pierce Adams (o FPA), do New York World, jornal que havia lançado o passatempo em 21 de dezembro de 1913. Franklin, autor da famosa coluna The Conning Tower e um declarado apreciador das palavras cruzadas, apresentou os futuros editores a Margaret Petherbridge (1897-1984), a editora dos jogos do New York World. Franklin P. Adams
Margaret estava em seu segundo emprego, tendo se formado no Smith College em 1919 e trabalhado como secretária num banco antes de se tornar, em 1920, secretária de John O'Hara Cosgrave, editor da revista dominical do World. Escolhida para auxiliar o editor de jogos de palavras cruzadas, a princípio Margaret tratara o trabalho com um certo descaso, mas logo veio a perceber a importância do passatempo para seus apreciadores, passando a gostar da atividade e a se aperfeiçoar na técnica das cruzadas. Uma das pessoas que contribuíram para essa conscientização fora justamente Franklin P. Adams, que eventualmente criticava em sua coluna os erros tipográficos nas respostas das palavras cruzadas do World, motivo de exasperação de muitos solucionadores. Com o tempo, Margaret assumiu a editoria dos jogos do World. Ao receber a proposta de Simon e Schuster naquele início de 1924, Margaret convidou dois outros apreciadores do passatempo, F. Gregory Hartswick e Prosper Buranelli, para ajudá-la a editar 50 das dezenas de jogos enviados por colaboradores que ainda não tinham sido aproveitados pelo jornal. O valor combinado para o trabalho foi de 75 dólares para os três autores. F. Gregory Hartswick (1891-1948) era um escritor de ficção e enigmista, criador de rebus e jogos para concursos, e autor de um livro sobre tangram. Prosper Buranelli (1890-1960) era um escritor de ficção (mais tarde, também roteirista de cinema e TV). Hartswick aparece neste filmete, trabalhando num jogo de palavras cruzadas em 1937, juntamente com outros profissionais contratados por uma companhia de cigarros para criar uma campanha publicitária. O autor é denominado como "puzzle king" (o rei dos enigmistas). Antes do lançamento do primeiro livro de palavras cruzadas, Franklin P. Adams aconselhou Simon e Schuster a não "queimar" a imagem da nova editora no mercado por meio da associação do nome "Simon and Schuster" a uma iniciativa literária "frívola". Assim, a primeira edição do Cross Word Puzzle Book ("O Livro dos Jogos de Palavras Cruzadas") saiu como se fosse uma publicação da "Plaza Publishing Company", estratégia abandonada logo que o impressionante sucesso da obra destronou Adams da condição oficiosa de conselheiro editorial. O livro foi o sexto mais vendido na lista de não-ficção dos Estados Unidos em 1924. O sucesso garantiu a continuidade do trio de autores: no mesmo ano, dois outros livros foram lançados, e nos anos seguintes a média de lançamentos da série ficaria em torno de dois livros por ano. Em 1928, os três colegas também lançaram The Cryptogram Book ("O Livro dos Criptogramas"). Em 1926, Margaret casou-se com o editor da revista Bookman, John Chipman Farrar, passando a se chamar Margaret Farrar. O nascimento dos filhos do casal levaria Margaret a abandonar o World e a manter apenas a colaboração nos livros de palavras cruzadas da Simon and Schuster. John Farrar se tornou um dos sócios da editora Farrar and Rinehart, fundada em 1929, e depois da editora Farrar and Strauss, a partir de 1946, tendo Margaret como conselheira editorial. Em 1965, a editora adotaria o nome de Farrar, Strauss and Giroux, pela qual é conhecida até hoje. John Farrar faleceu em 1974, dez anos antes de esposa. Na área das palavras cruzadas, Margaret foi a responsável pela edição da série The Cross Word Puzzle Book até o livro de número 134, no qual estava trabalhando ao falecer em 1984. Para a editora, criaria também a série The Pocket Books of Crossword Puzzles (livros de bolso), a partir da década de 50. De fevereiro de 1942 a dezembro de 1968, Margaret ajudaria a determinar o estilo "oficial" das palavras cruzadas dos EUA, em seu trabalho como editora dos jogos do jornal The New York Times. Aposentada compulsoriamente do Times aos 70 anos de idade, Margaret passaria a editar os jogos do Los Angeles Times. Em 1974, a mulher mais famosa da história das palavras cruzadas recebeu uma homenagem em razão do seu cinqüentenário como editora de palavras cruzadas dos livros da Simon and Schuster. Na ocasião, o reverendo Edward J. O'Brien, também criador de jogos, distribuiu entre os convidados o primeiro catálogo de criadores de palavras cruzadas dos EUA, um livreto intitulado A Compendium of Cruciverbalists ("Um Compêndio de Cruzadistas"), a primeira utilização daquela palavra nesse contexto, nos EUA. Os três autores
Margaret Farrar
Uma curiosidade: em fevereiro de 2009, o bisneto de Margaret, Willy Blackmore, escreveu em seu blog pessoal um post intitulado Will Shortz Can't Keep me Down (Will Shortz não vai me desanimar), em que relatava a dificuldade de resolver os jogos do jornal The New York Times. As cruzadas diárias do Times se tornam mais complexas com o passar da semana, até que se chegue ao maior e mais difícil dos jogos, no domingo.
Fontes
A música e as palavras cruzadas
Fontes
A literatura e as palavras cruzadas J. R. R. Tolkien, o autor da famosa trilogia O Senhor dos Anéis, era um apreciador dos jogos de palavras, entre eles as palavras cruzadas. O livro Pictures by J. R. R. Tolkien, editado pelo filho do autor, Christopher, e lançado em 1979, contém 48 ilustrações da autoria de Tolkien, além de desenhos criados por ele em páginas de jornais quando resolvia palavras cruzadas. Um desses padrões é mostrado abaixo da imagem da capa do livro.
O livro The Tolkien Scrapbook (Livro de Recortes de Tolkien), lançado em 1978 e reimpresso em 1989 e 2000, contém reproduções de ilustrações do autor, biografia, ensaios, cronologia, bibliografia e, entre outros itens, duas palavras cruzadas. O jogo abaixo foi criado por Mel Rosen.
Fontes
Livros sobre as palavras cruzadas Em 1925, a editora Simon and Schuster, responsável pelo livro que criou o modismo das cruzadas, lançou seu Simon and Schuster's Cross Word Puzzle Manual ("Manual de Palavras Cruzadas da Simon and Schuster"), escrito por Jane Black, J. L. Felgar, David E. Hirsch e Ralph Schoolman. No subtítulo lia-se: Containing Instructions for the Making and Solving of Cross Word Puzzles, Twenty-five Blank Designs for Construction and Alphabetical Grouping of Word Lists According to the Number of Letters in Each ("Contendo instruções para a criação e solução de jogos de palavras cruzadas, vinte e cinco esquemas em branco para preenchimento, e grupos alfabéticos de listas de palavras segundo o número de letras"). O livro vinha com o já tradicional lápis preso à capa e com uma régua graduada para ajudar na consulta das listas de palavras.
Fonte
Os filmes e as palavras cruzadas The Story of Us ("A História de Nós Dois") é o título de uma comédia romântica estrelada por Bruce Willis e Michelle Pfeiffer. A trama centra-se na pergunta: um casal consegue sobreviver a 15 anos de casamento? Dirigido por Rob Reiner, o filme foi lançado em 1999, resultando num fracasso de crítica e de público. Michelle Pfeiffer interpreta uma criadora de palavras cruzadas. A apresentação simplória de sua personagem, Katie Jordan, é uma pista para o destino do filme como obra artística: "Ela gosta que tudo esteja em seu lugar, de saber que há respostas para as pequenas questões da vida e de sentir a sensação de fechamento. Sua carreira como designer de palavras cruzadas preenche sua necessidade de saber que aquele pequeno mundo naquela meia página está completo. E é por isso que Katie se apaixonou pela imaginação, espontaneidade e descontração de Ben."
Para conhecer a rotina de trabalho de um criador de palavras cruzadas, a produção do filme visitou um dos membros do fórum norte-americano Cruciverb, batendo dezenas de fotos do local de trabalho. A apresentação da versão dublada em português:
Fontes
A arte e as palavras cruzadas Abaixo, uma pintura de Greig Leach intitulada Thoughtful Morning ("Manhã Pensativa").
Fonte
Usos criativos do passatempo Henry Dudeney é considerado um dos maiores enigmistas da História. Nascido na Inglaterra em 1857, especializou-se em jogos lógicos e matemáticos, embora também atuasse na área dos jogos de palavras. De maio de 1910 a junho de 1930, Dudeney escreveu a coluna Perplexities ("Perplexidades") na revista mensal The Strand Magazine, a mesma em que Conan Doyle publicou as histórias de Sherlock Holmes.
Durante a crossword craze, Dudeney duvidou da longevidade das palavras cruzadas. No número de setembro de 1925, o enigmista inglês criou o quebra-cabeça The cross-word clown (O palhaço das palavras cruzadas), comentando que o modismo "will probably die as rapidly as it has sprung up" (provavelmente morrerá tão rapidamente como surgiu). Mas neste número Dudeney aceitava paradoxalmente o chamamento criativo das cruzadas, criando não uma, mas três variantes do jogo. Na primeira, novel cross-word puzzle (palavras cruzadas originais), as letras já estavam impressas na solução, mas as definições vinham em ordem aleatória. Na segunda variante, cada letra do alfabeto era usada apenas uma vez na grade (um jogo pangramático). E na terceira, o enigmista não oferecia os lugares exatos das respostas, mas somente o número de letras de cada uma. Dudeney também criou, no mês seguinte (outubro de 1925), o primeiro crossfigure puzzle (jogo de cruzamento de números), depois chamado crossnumber. Nesse passatempo, números entram no lugar das letras, e as equações matemáticas (soma, subtração, divisão, elevação ao cubo etc.) tomam o lugar das definições. Esta página contém um exemplo moderno do passatempo. Outras experiências com palavras cruzadas e cruzamento de números, feitas por Dudeney, apareceram nos números seguintes da Strand. Em dezembro de 1926, provavelmente inspirado pelo modismo das palavras cruzadas, Dudeney escreveu o artigo The Psychology of Puzzle Crazes ("A Psicologia dos Modismos do Enigmismo") na revista Nineteenth Century, expandindo o artigo Great Puzzle Crazes ("Grandes Modismos do Enigmismo") publicado por ele na revista London Magazine em novembro de 1904. No novo artigo, Dudeney analisava os modismos do fifteen puzzle e da paciência (jogo de cartas), entre outros.
Fontes
As citações e as palavras cruzadas "The best place to use big words is in a crossword puzzle." (Brian Koslow.) Tradução:
"O melhor lugar para se usar palavras pomposas é o jogo de palavras cruzadas."
Jogos baseados nas palavras cruzadas Abaixo, o jogo de tabuleiro intitulado Catchword.
Fonte
Produtos temáticos ALMOFADAS
Fonte
Revistas de palavras cruzadas ALEMANHA
Fonte
Sérgio Barcellos Ximenes |
![]() ![]() |