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CRUZADISMO - 9 |
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A "crossword craze" (1924-1925) Um dos aproveitamentos criativos mais curiosos do novo passatempo deu-se no setor da moda. Ao abordar a crossword craze (modismo das palavras cruzadas), as obras sobre o passatempo sempre destacam os itens de vestuário que foram criados por inspiração do padrão branco-e-preto de casas alternadas que caracteriza internamente a grade das palavras cruzadas. Esta matéria do Albuquerque Journal, do Novo México, edição de 27 de fevereiro de 1938, trazia uma foto do tempo da crossword craze mostrando a meia "temática" vendida no auge da popularidade do passatempo.
No jornal Winona Republican Herald, de Minnesota, a meia feminina apareceu em dezembro de 1924.
O jornal australiano The Argus revelou a difusão internacional do passatempo e do modismo, em 1925, ao publicar várias notícias e anúncios sobre a moda e as palavras cruzadas.
Bolsa
Cambraia
Guardanapo e vestido
Um pouco de tudo
Bordado
O jornal Fort Myers, da Flórida, publicou em março e abril de 1925 outros dois anúncios sobre o tema "moda e palavras cruzadas". Gravata
Design em seda
No jornal The Jewish Criterion (julho de 1925), este anúncio de meias (Fancy Hosiery) reforça a impressão de que o modismo, nesse aspecto, não se restringia ao público feminino.
Mais: o jornal nova-iorquino The Tupper Lake Herald publicou em abril de 1925 uma ilustração da meia "temática" de palavras cruzadas.
No mesmo ano e jornal, o maiô com motivo de palavras cruzadas.
Em dezembro de 1924, o jornal Winona Republican Herald, de Minnesota, atribuía o modismo do design axadrezado ao modismo das palavras cruzadas.
Fontes
Postais, anúncios e cartuns Abaixo, uma tira em quadrinhos da época da crossword craze, publicada no jornal Oakland Tribune em 26 de dezembro de 1924.
No mesmo jornal e no mesmo dia, uma outra tira tinha como um dos quadrinhos esta cena:
Fonte
A música e as palavras cruzadas
Fontes
As crônicas e as palavras cruzadas Palavras cruzadas (17/9/2000) Autor: Luis Fernando Verissimo. "Vivia sozinho numa casa com dois gatos e seu passatempo era inventar palavras cruzadas, que mandava para um jornal por um pagamento simbólico. Não precisava de dinheiro, o que quer dizer que não precisava dos outros. Amava as palavras e os seus gatos, nesta ordem. Os gatos eram castrados e as palavras com que brincava também. Que mal poderiam fazer as palavras que estudava como se elas também tivessem raça e pedigree, e arranjava em diagramas e jogos inofensivos? Nem ele, nem seus gatos, nem suas palavras jamais machucariam alguém, pois jamais tocariam em alguém. Mas um dia um mendigo — pedinte, sete letras, do latim 'mendicus', cuja base é 'menda', defeito físico, de onde também vem 'emendar', correção de defeito ou erro — bateu na sua porta. "Este mendigo não parecia ter qualquer defeito físico. Se não fossem a sujeira e as roupas esfarrapadas, poderia ser seu irmão. Poderia ser ele. E quando ele começou a fechar a porta, depois de dizer que não tinha nada para dar ao mendigo, ouviu deste as palavras: 'Cuidado com elas...' E viu que o mendigo estava apontando para um diagrama de palavras cruzadas pela metade que ele deixara ao lado da sua poltrona, quando fora abrir a porta. " 'Cuidado com o quê?', perguntou. 'Com as palavras cruzadas. Elas arruinaram a minha vida.' "E o mendigo contou que nem sempre fora aquele miserável, sujo e esfarrapado. Era um advogado. Tinha dinheiro, posição, família. E uma paixão: as palavras cruzadas. Orgulhava-se de jamais ter deixado uma grade de palavras cruzadas incompleta. E mais: de jamais ter consultado um dicionário. 'Um dia, não consegui completar uma palavra. Pela primeira vez na minha vida, não consegui terminar umas palavras cruzadas. Acertei a vertical. Pequena placa de metal ou outro material usada como enfeite. Dez letras. Lentejoula. Mas a horizontal não encaixava com a segunda letra. Era uma derrota. Passei quase duas semanas às voltas com aquilo. Levava o recorte do jornal para toda parte. Volta e meia, tirava o recorte do bolso e tentava de novo. Procurei outra palavra em vez de ‘lentejoula’. Nenhuma dava certo. Procurei outra para a horizontal. Nenhuma encaixava com as verticais, com exceção do ‘e’ de ‘lentejoula’, como a que eu colocara. Fiquei obcecado. Não conseguia mais dormir. Não conseguia trabalhar. Me tornei um intratável. Brigava com a mulher e com as crianças por nada. E, um dia, veio a desconfiança. Só podia ser um erro do autor das palavras cruzadas. Em vez de ‘lentejoula’, ele usara ‘lantejoula’. Se fosse ‘lantejoula’, a horizontal encaixava, tudo encaixava. Mas o certo é ‘lentejoula’. Eu estava certo, o autor estava errado.' " 'Mas o certo é ‘lantejoula’', disse o dono da casa, pois era ele o autor das palavras cruzadas. " 'O certo é ‘lentejoula’', disse o mendigo. 'Mas isso eu só descobri depois que a minha vida já tinha desmoronado, a mulher e os filhos já tinham me deixado e eu já fechara o escritório, porque não podia me concentrar em mais nada. Eu rasgara as palavras cruzadas incompletas e as atirara no lixo, mas a obsessão continuava. Eu tinha fracassado. E então, um dia, decidi. Já que eu era um ser abjeto, levaria minha degradação ao máximo. E consultei um dicionário. Sim, abri um dicionário. E descobri que eu estava certo e o autor das palavras cruzadas estava errado. É ‘lentejoula’. Pensei em escrever para o jornal, em descobrir o autor das palavras cruzadas e acusá-lo por tudo que me acontecera. Mas do que adiantaria? Eu só conseguiria lhe dar remorso. Minha mulher e meus filhos não voltariam a viver com um obsessivo. Eu não recuperaria a minha posição. O que eu poderia fazer com o autor? Matá-lo? Fora um erro, apenas. Todo mundo erra.'
"O homem deu uma nota de cem ao mendigo e fechou a porta. Sentia remorso, mas não muito. Afinal, o outro também não fora honesto. Roubara. Consultara um dicionário. E não havia mesmo jeito de emendar, no sentido latino, a situação."
Livros sobre as palavras cruzadas Publicado em 1925 pela editora Small, Maynard & Company (Boston), The Cross Word Puzzle Makers Book ("O Livro dos Criadores de Jogos de Palavras Cruzadas") tem por subtítulo Containing 28 Cross Word Puzzle Forms, over any one of which the ingenious Puzzle Piker may work and toil for hours ("Contendo 28 esquemas de palavras cruzadas, sobre os quais o engenhoso aficionado pelo passatempo poderá trabalhar e se esfalfar durante horas"). Na capa, duas quadrinhas. A primeira: I dare you fill my pages bare / You Puny Cross Word Puzzle Fan! / I dare you with the world to share / Your boasted genius, if you can (Eu o desafio a preencher minhas páginas em branco / "Seu" insignificante Fã das Palavras Cruzadas! / Eu o desafio a compartilhar com o mundo / Sua genialidade orgulhosa, se é que você consegue). E a segunda: Why puzzle some one else's / When you may make your own? / It is much more fun to be the first / Than to pick another's bone! (Por que fazer o jogo de outra pessoa / Quando você pode criar o seu? / É muito mais divertido ser o primeiro / Do que pegar os restos de outrem). O livro custava um dólar e trazia um aviso e uma desoneração dos editores, bem de acordo com o modismo então vigente: "Tentar completar este livro pode pôr em risco muitos lares felizes e provocar casos crônicos de insônia. O único antídoto é jogar fora o livro. E, para concluir, os editores desejam desobrigar-se de qualquer responsabilidade pelas conseqüências desastrosas causadas pelo excesso de esforço mental por parte do criador dos passatempos". A introdução em uma página precedia os esquemas, 28 grades reticuladas 15 x 15 casas, tendo na página respectiva à esquerda 30 definições "Horizontais" (título Horizontal) e 30 definições "Verticais" (título Vertical). Colada à terceira capa, uma cartela em papel manteiga abrigava um plástico preto picotado, cujos quadrinhos deveriam ser colados nos esquemas por meio de uma lambida na parte posterior, para indicar as casas "mortas" (sem letras das respostas).
Fonte
Os filmes e as palavras cruzadas O mais recente filme estrelado por um criador de palavras cruzadas (no caso, criadora), é All About Steve.
Trata-se de uma comédia romântica estrelada por Sandra Bullock.
Sandra vive uma cruzadista "excêntrica" (Mary Horowitz) que percorre vários estados dos EUA, sempre atrás do seu grande amor, um cameraman da fictícia rede CCN vivido por Bradley Cooper.
Fontes
As citações e as palavras cruzadas "As palavras cruzadas têm uma característica muito engraçada: há palavras que só conheço das palavras cruzadas. Palavras que nunca ouvi antes nem nunca voltei a ouvir depois de as conhecer, mas que são habitués nas palavras cruzadas." (João Craveiro.)
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Jogos baseados nas palavras cruzadas Abaixo, o jogo de tabuleiro intitulado Grand Jeu des Mots Croisés Nathan, lançado na França.
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Produtos temáticos PIJAMAS
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Revistas de palavras cruzadas LETÔNIA
Fontes
Sérgio Barcellos Ximenes |
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